sábado, 17 de dezembro de 2016

Ir ou ficar? A grande questão dos nossos dias

Emigrar. É preciso ou está na moda?
Estava eu ontem na costureira de conversa leve com uma rapariga até que vem à baila o facto de eu ter estado no estrangeiro. Essa rapariga, com quem gostei muito de conversar, aproveita para me perguntar sobre a minha experiência e a minha opinião sobre ir para o estrangeiro. Aproveitou para desabafar comigo sobre as pressões que sofre de alguns familiares desde que um primo dela emigrou. Eu dei-lhe a minha mais realista e sincera opinião. Cada caso é um caso, cada experiência é cada experiência, e cada pessoa é cada pessoa. Nem todos somos movidos pelas mesmas coisas. Para algumas pessoas é bom sair e explorar outros horizontes, como foi para mim. Outras, têm mais o que as prenda por cá. Alguns já vão em família, ou em casal, o que torna tudo muito mais fácil. E mesmo alguns desses acabam por voltar. Outros vão sozinhos, enfrentam mais obstáculos, mas alguns acabam por ficar, por mais tempo, ou quiçá, para sempre. Alguns escolhem ir para determinado país por paixão, porque querem mesmo viver ali e não por necessidade, necessariamente.
Na grande emigração dos anos 60, ia-se em família, iam irmãos e primos, e não se voltava tão cedo. Mas a miséria cá era muita. Não se compara. Emigrava-se para sobreviver. Hoje em dia, não nego que algumas pessoas não emigrem para sobreviver, porque lá está, não sabemos o que se passa realmente na vida das pessoas, se têm dívidas ou quantas bocas têm para alimentar. Mas diria que hoje se emigra para viver melhor. Só o facto de balançarmos o ir ou ficar é uma grande diferença em relação aos emigrantes dos anos 60 e 70. E depois o "viver melhor" também é relativo. Cada pessoa terá a sua perspectiva sobre o que é isso de viver melhor.
A tal rapariga, por cá quer ficar, é ligada a isto, à família, à terra, e é muito feliz aqui. Diz que quem vai para o estrangeiro tem uma atitude arrogante em relação aos que ficam. Eu disse-lhe que isso é uma capa protectora, típica atitude de recém-emigrado, que acaba por se diluir com o tempo e a espuma os dias. Diz ela estar farta que lhe digam que lá fora é que é. Eu disse-lhe que as pessoas vão ter sempre opiniões, principalmente as que não sabem um corno sobre nós. No final, só temos que seguir o que nós sentimos, e não o que os outros acham que devíamos fazer.
A única coisa que eu afirmo que sim, totalmente sim, se deveria fazer, é viver algum tempo no estrangeiro - um intercâmbio, uma experiência profissional, qualquer coisa que seja mais que passear - ajuda-nos tanto a ser melhores indivíduos quando voltamos. E se formos a ver, é uma prática muito comum em países mais desenvolvidos.
Mas em algo tenho vindo a reparar, e sem dúvida me deixa feliz, é que desde que regressei a Portugal, fui-me cruzando com muitas pessoas profissionalmente e nenhuma com intenção de emigrar, algumas até muito determinadas em não ir para o estrangeiro. Não sei se os portugueses estão mais optimistas ou mais realistas.

Sem comentários: