terça-feira, 16 de agosto de 2016

No cat is an island

Acordo com o despertador. Mesmo que tenha acordado vinte minutos antes do despertador tocar, volto a adormecer. Levanto-me e faço a minha rotina matinal calmamente. Saio para a rua, e a ansiedade não vem ter comigo. Entro no metro completamente relaxada. Ataques de pânico, já nem penso neles. O meu corpo regressou à sua normalidade. Continuo a ter certos percalços que aprendi a ter com a ansiedade. Aqueles percalços que não me passavam pela cabeça há dois anos e meio, antes de ter o meu primeiro ataque de pânico. Quando era assim aquela miúda que fazia as coisas sem pensar duas vezes e "bora nessa vanessa". Estou a voltar a ser essa miúda. Já me reconheço. Estou mesmo feliz comigo. Às vezes é preciso dar um passo atrás para dar dois para a frente. Outras vezes, um passo atrás transforma-se em dez para a frente. É preciso parar e pensar "o que é que me faz falta?", e procurar isso mesmo. As nossas necessidades estão sempre a mudar, por isso é importante não nos conformarmos ao que parece que estamos destinados e ir procurar o que nos faz falta. Isso implica fugir às normas. Num certo momento da minha vida, apesar de parecer que nada estava errado, comecei a sofrer de ansiedade. Então, é porque alguma coisa estava errada. E agora vejo que havia tanta coisa errada. Procurei nunca me render à vozinha que me tentava amedrontar. Tentei sempre ultrapassar os obstáculos que a minha mente, e o meu corpo, me iam colocando na frente. E felizmente, nunca deixei de fazer o queria. Mas ainda era preciso algo que fizesse a diferença, a diferença entre fazer aquele esforço extra e não fazer esforço nenhum. E esse algo foi basicamente, um back to basics.
Pessoas, se posso deixar algum conselho: estejam atentos aos sinais do vosso corpo, e estejam atentos ao ambiente que vos rodeia. É um ambiente no qual vocês proliferam? [Proliferar não é uma palavra particularmente bonita mas não me lembrei de outra]. Se não é, mais cedo ou mais tarde, isso vai reflectir-se. Saiam dos caminhos habituais. Nadem contra a corrente.
E escrevo isto sentada na mesa do pátio, sem pressa para ir fazer o jantar, enquanto vou conversando com a minha senhoria e uma amiga dela, e celebramos o facto da gata (que andava escondida há uma semana porque estávamos a tomar conta de uma cadela), ter saído do seu buraco e andar pela casa como se lhe tivesse saído o euromilhões, ou o whiskasmilhões.