segunda-feira, 27 de junho de 2016

May you live in interesting times

"Que vivas em tempos interessantes e que encontres o que procuras", é uma antiga maldição chinesa, usada, diz-se, pelos sábios chineses, que acreditavam que a estabilidade dos tempos era o melhor para a evolução do pensamento e da humanidade, ao contrário dos tempos de tribulações, agitação e mudança.
Refiro-me ao Brexit, mas não só. Podemos dizer que a minha geração e a geração mais nova vive e vai viver ainda muito mais em "tempos interessantes", talvez amaldiçoados pelas gerações anteriores, ou por culpa de uma geração que viveu a época dourada de estabilidade na Europa. E se acontecer que ao Brexit, se junte uma vitória de Donald Trump nas presidenciais dos EUA, este será um ano que vai ficar na História, e não pelos melhores motivos. A História, essa, está condenada a repetir-se. Ninguém aprende com ela. No fundo, a base de qualquer maior decisão ou acontecimento, será sempre o racismo e a xenofobia. Desengane-se quem pensa que os que votaram para sair da União Europeia, o fizeram meramente pelo ponto de vista económico. E depois basta ver quem, por esse mundo fora, aplaudiu a decisão.
Agora, no Reino Unido, dizem "estar à espera do momento oportuno" para accionar o artigo 50. Ora aí estão eles a definirem-se a eles próprios da melhor maneira. Uma cambada de oportunistas. A começar pelo senhor Boris Johnson, um dos políticos mais oportunistas que existe, especialista a espetar facas nas costas dentro do próprio partido, e cujo único motivo é chegar ao pelouro (tal como já aconteceu por cá). Ele é o típico inglês que acha que o West End não lhe chega e quer ser estrela de Hollywood. Assim como todos os britânicos que votaram para sair da União Europeia. Eles não querem ser como a Suíça, ou como a Noruega. Eles querem o mundo! Valha-se-lhes! Oh Britannia, may you find what you are looking for.