quinta-feira, 19 de maio de 2016

Como canta o brazuca, "joga fora no liiiiiixo"

Dou por mim cada vez mais desapegada de coisas materiais. Seja coisinhas mais pequenas ou bens mais valiosos. Um dos meus mottos é que quantas menos coisas tens a prender-te a um sítio, melhor. Para o que é que eu preciso de ter tanta tralha em casa, se eu gosto é de mudança e constante movimento e não posso andar com a tralha toda atrás de mim. Tirando um ou outra coisa com carregado valor sentimental (e o pior é que eu sou uma pessoa que me apego muito a objectos pelas recordações que eles me trazem*), tudo o resto é o que é, espelunca. Ando pela lojas e ainda me apaixono pelas coisas, mas depois penso, para o que é que eu preciso daquilo? Já tenho tanta coisa, vai ser só mais uma coisinha para carregar às costas ou deixar p'ra trás. NÃO. Há um mês e tal apaixonei-me (de me apaixonar mesmo!) por um vestido, um little black dress que tem grandes hipóteses de vir a ser o vestido da minha vida, mas ainda não o comprei (sim, está reservado há mais de um mês), pois penso nos seis ou sete vestidos que tenho e só usei uma vez ou naquele até que nunca usei. Snif. Quanto a coisas "maiores", pergunto-me se alguma vez vou ser aquela pessoa que vai comprar uma casa, já que é o objectivo número um da maioria das pessoas da minha idade e cada vez que falam nisso a minha reacção ainda é cruz credo cruzes. E sim, já devia e podia ter um carro, mas como diz o meu pai "depois é para o carro ficar aí parado na garagem a ocupar espaço". Pois, vá que vá, daqui a nada estou novamente a bater as asinhas para outro pouso. E sabem que mais? Eu gosto da vida assim. Gosto mesmo. Se um dia gostava de assentar? Também gostava. Mas até lá, fico-me pelo little black dress. {inserir smiley face com a língua de fora}

*Os meus cúmulos: quando estava em Londres guardei uma garrafa de Malibu durante três anos porque era de um jantar português que fiz em casa para os meus amigos estrangeiros e que foi daqueles momentos cheios de amizade que ficam para sempre. Usava-a como jarro de flores. Só me desfiz dela quando vim para Portugal. Mas ainda há pior... Guardei durante muuuitos anos um cartaz de gelados da Olá que roubei de um café quando andava na universidade, porque me levava de volta àquelas noites em que eu e os meus amigos deambulávamos pelas ruas da cidade e éramos tão felizes. E sim, até tive o raio do cartaz de gelados exposto no quarto durante muito tempo, apesar de infindáveis tentativas da minha mãe a convencer-me a deitar aquilo fora. Ou sou uma hoarder compulsiva ou sou simplesmente uma pessoa muito sentimental.