quinta-feira, 31 de março de 2016

Acima de todas as coisas

A vida é o que acontece quando estamos com as pessoas que amamos. Quando conversamos e rimos com os nossos amigos. Quando viajamos e temos experiências novas. Quando dançamos e cantamos as nossas músicas preferidas. Quando cozinhamos ou comemos refeições inesquecíveis. Tudo o resto são intervalos, por vezes longos demais. A vida foi hoje estar duas horas ao telefone com um dos meus melhores amigos e sentir uma injecção de energia no meu corpo. Sempre soubemos rir das nossas desventuras, sempre soubemos saborear a vida "como pão de fome", como dizia Fernando Pessoa. E melhor do que as belas memórias que partilhamos é a nossa vontade em criar muitas mais. Há pessoas que são os meus lugares favoritos.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Foi assim que a Páscoa veio e foi

Num ápice. Trabalhei até quase onze da noite de sábado. Já só pensava em folar. Andei com a prima que está engripada à procura da farmácia de serviço. Ai é só emergências e receitas médicas, the fuck? Uma sessão parlamentar para comprar uma caixa de Brufen no serviço nocturno, valha-se-me. Depois fomos ter com a família à Catedral para aquela cerimónia do Sábado de Aleluia que dura três horas (só chegámos a tempo da meia hora final, que chatice). Depois de benzidos, fomos para casa e ficámos até às três da manhã (com a mudança da hora, a Páscoa ainda ficou mais curta) a comer folar (da minha mãe, que foi o melhor que ela já fez, ou eu tenho memória curta), e beber chá, e claro, a tagarelar incessantemente. A prima e a tia foram-se embora, o irmão mais velho e os pais foram deitar-se, o irmão do meio andava nos copos, e eu, feita escrava Isaura, deu-me p'ra ficar a lavar tachos até às quatro. Os pais já tiveram muita trabalheira o dia todo com os folares, tenho que compensar. Fui para a cama e dormi um sono estranho porque estava cheia como uma mula. Levantei-me à uma da tarde de Domingo, já estava a minha mãe a ultimar o almoço de Páscoa. Toca a comer ainda mais e mais e mais. Depois de almoço, mais conversa, um pouco de zapping com os irmãos, e uma sessão de youtube a ver os vídeos de stand-up do Trevor Noah. Depois já eram horas de começar a fazer o jantar. Ainda estou cheia do almoço, credo. Fiz tempo para um banho relaxante e uma manicure caseira que as minhas unhas estavam mesmo a precisar. E ala para a cozinha preparar as batatas doces no forno. A mãe e os manos gostaram, o pai nem por isso. Acabou-se o jantar a ver o Portugal Tem Talento (ou Got Talent Portugal ou Got Portugal Talent?) porque nós adoramos gozar com aquilo e com o tamanho das mãos da Mariza. E enfim, cama, que hoje era dia de começar a trabalhar cedo. E voltei a dormir um sono estranho por ter comido demais. Resumindo, um dia passado em casa com muitos farináceos, muito açúcar e pouco juízo. Contrapondo, bem merecia.

Os ditos cujos

Em pleno delito

Só falta contar aqui a melhor dos últimos tempos. Então na Catedral a minha prima reencontra a freira que a preparou para o Crisma há mais de vinte anos atrás. No belo do reencontro a freira pergunta-lhe se já se casou. A minha prima responde que não (o drama, o horror) e ela diz "então anda para ao pé de nós!!" Aaaaaahhhhhhhhh! Foi a risada. Do mal o menos, já sabemos que temos sempre quem nos queira. 

quinta-feira, 24 de março de 2016

Regalias primaveris (título rebuscado para um post quiçá altamente motivador)


Não há nada como abrir a janela de manhã e ter um sol maravilhoso à nossa espera, beber uma canecada de café e decidir que, não importa o quê, o dia de hoje vai ser um dia maravilhoso. Viver e fazer as coisas sem pensar no amanhã. Apenas viver o belo dia presente. E está mesmo a ser um dia maravilhoso. Não importa o que é de pequenino que nos assola a alma. O médico diz que a nossa saúde está óptima, os jardins estão cada vez mais bonitos e o sol cada vez menos envergonhado. A vida é bela. É assim que eu gosto dela.

quarta-feira, 23 de março de 2016

domingo, 20 de março de 2016

Livros que eu não posso ler à hora do almoço no meio das pessoas, mas que remédio tenho


Já chorei como uma perdida com muitos livros, mas este, é não aconselhável aos corações mais susceptíveis. Eu ali a esforçar-me para que as lágrimas não me caíssem para a tigela da sopa. Definitivamente, a seguir à "saga" José Luís Peixoto, tenho ler coisas mais animadas. Mesmo. Nem que seja os livros que saem com a revista Maria. 

quarta-feira, 16 de março de 2016

Uma outra Primavera Marcelista?

Ainda é muito recente, é certo, mas é impossível não notar que há um grande entusiasmo em volta do nosso novo presidente. Como se ele viesse arejar um casa que há muito se encontrava fechada e cheia de mofo. O que sabemos é que o Professor Marcelo é um comunicador. Fala pelos cotovelos e isso torna-o mais alcançável aos olhos das pessoas. Gostando ou não, há que concordar que o homem tem carisma. Um grande oposto ao que recentemente tínhamos no Palácio de Belém. Tem um espírito diplomático que o faz ter muitos amigos aqui e além fronteiras, e ser mais-ou-menos consensual à direita e à esquerda.
Aos portugueses, parece-me, está sobretudo disposto a dar carinho. E se pensarmos bem nisso, não tínhamos nenhuma figura de Estado que nos viesse passar a mão no pêlo, e no fundo, essa é uma das responsabilidades do Presidente da República, por mais ridículo que pareça. O presidente tem que contribuir diariamente para a auto-estima da nação, e pode fazê-lo de variadíssimas formas. E dar uma ou duas palavrinhas de aconchego ao povo, convenhamos, não custa nada.
Na primeira semana depois da tomada de posse, o bicho parece estar já imparável. Ele é quebra de protocolos, ele é cantar rap, ele é chamar o povo ao palácio, ele é visitar o Papa... "Bom!", energia não lhe falta, e a ver vamos. E que esta segunda Primavera Marcelista seja mais do que uma falsa expectativa.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Antídotos

Aqui me confesso. Sou uma pessoa realista, e muito prática. Já me chamaram straight-forward, e acho que essa é uma das minhas características mais demarcadas. Não perco tempo. Vamos porque vamos. Digo porque digo. Peço desculpa. Vou para a frente e volto atrás. Gosto do "já está", "já passou", "vamos lá". Sou de natureza cínica porque sei que há coisas que não estão ao meu alcance e convivo bem com isso. E mais do que conviver, consigo rir das minhas circunstâncias. Mas até nós cínicos gostamos de pintar uma pontinha de céu romântico nas coisas da vida. De idealizar que é para acontecer e é porque tem de ser. Queremos acreditar que somos um bocadinho mais do que bichos reprodutivos a lutar por sustento. E é esse céu romântico que vou pintando, às vezes, sem me dar conta. Depois paro para pensar. Eu não mereço certas coisas. Cá ando eu com os meus realismos e as minhas queixas e as minhas descrenças, e vá que não, aparece sempre alguém que me surpreende, que me puxa, que acredita em mim. Tenho o que peço. Peço pouco, é certo. Mas tenho-o. E tenho um bocadinho mais ainda.

sábado, 12 de março de 2016

terça-feira, 8 de março de 2016

O sol espera por nós

Vivemos uma luta injusta. A injustiça é que nem sequer nos concedem a opção de lutar. Não temos direito a gostar do que gostamos, a querer fazer o que fazemos, ou a não querer o que não queremos. Na inépcia que vai na cabeça desses seres que nos acham seres diferentes ou que não nos consideram seres de todo.
Todos os dias, olho para o mundo e este é o ar que respiro. A raiva vai crescendo na minha para eles inexistente alma. Sei qual é rumo que a minha vida está a tomar, e não poderia ser outro. Vou ser eu a caminhar ao sol, sempre.
Hoje, penso especialmente nas mulheres que amo. Nas minhas companheiras. Nas mulheres que fazem da minha vida o que ela é. A mulher que me deu a vida. As mulheres que me acompanham desde sempre. Aquelas que partiriam garrafas p'ra me defender. As que ficam comigo no fim do dia. Na mulher que partiu à aventura comigo e com quem viajo sozinha para todo o lado. Mulheres sem as quais eu não era quem sou.

sábado, 5 de março de 2016

Hoje é um dia triste

Às vezes o desaparecimento de lugares deixa-nos tão tristes como o desaparecimento de alguém. Talvez porque esses lugares nos façam lembrar pessoas que não estão mais nas nossas vidas mas que já foram tão importantes, ou nos façam lembrar de nós próprios, de quem fomos, do que fazíamos, dos bons momentos que vivemos. Da nossa juventude.

Aquela que era a antiga e mítica sala de cinema da minha cidade ardeu durante esta madrugada. O edifício já estava devoluto há alguns anos, mas a sala continuava lá intacta, e claro, há sempre uma esperança de ali poder voltar a entrar um dia. Mas as chamas destruíram o nosso grandioso Cine-Teatro. Para a cidade, e para as gerações mais velhas, do qual a minha será a última a ter frequentado aquele espaço, é um grande perda pessoal.

Era a nossa grande sala de cinema, onde íamos ver, por trezentos escudos, os tão aguardados filmes e os idolatrados actores, numa altura em que ainda não tínhamos Internet em casa, muito menos pirataria. Era a sala enorme onde no Inverno se apanhava um frio que gelava, mas nós íamos na mesma, e se fosse a ver um filme de terror, até parecia que aquele frio cortante era parte da experiência, assim como quando falharam os projectores a meio d'O Exorcista.
Era onde eu e o meu grupo de amigos passávamos as tardes em que não havia escola, onde às vezes até os professores se juntavam a nós. E foi talvez o primeiro lugar onde nos sentimos crescidos, naquelas vezes em que os nossos pais nos deixaram ir à noite.

O lugar de intermináveis conversas e risinhos antes dos (e algumas vezes durante os) filmes, de gargalhadas, de lágrimas, de sustos, de sonhos. O lugar que me viu chorar, com os meus seis aninhos, a morte do Mufasa no Rei Leão. O meu primeiro cinema.

As pessoas que perdemos continuam sempre vivas nas nossas memórias, e os lugares que perdemos, a esses também podemos voltar sempre que quisermos.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Ofertas de "emprego" a dar c'um pau


Eu até me assusto quando vejo coisas destas espalhadas por aí.
Mas já agora, oferta em quê, especificamente?
1) Prostituição ou 2) Vendas de porta em porta?
Façam as vossas apostas!

terça-feira, 1 de março de 2016

Março, Marçagão

 

Bem-vindo, mês em que o ano começa a ser menos frio e mais interessante.