sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Bem dizia o outro, viver todos os dias cansa

Gosto cada vez mais da ideia de viver um pouco à margem da sociedade. Não quero dizer ser marginalizada, ou excluída. Mas ser selectiva naquilo que eu deixo vir até mim e naquilo que me interessa saber. Fazer a minha cena. Gosto do tempo e da era em que vivemos, mas é um tempo cansativo para se viver. Se não fizermos intervalos, de vez em quando, de todo este excesso de informação em que estamos inundados, damos em malucos. É preciso parar de vez em quando e fazer o que interessa, viver.

Não, não me interessa saber quem ganhou aquele prémio, ou ouvir a nova música da Adele, também não me interessa saber mais uma opinião de não-sei-quem sobre o caso que está na moda esta semana. Prefiro rabiscar este papel, ou ir ler aquele livro de há cem anos atrás, ou ir assar umas castanhas.

Interessa-me saber o que se passa no mundo, mas não quero saber de tudo o que se passa. Ainda vou acabar sufocada. Parem de trazer até mim informação que não me serve para nada. Mesmo sem andar atrás, leva-se com tudo na cara. É preciso sair dos circuitos habituais, fazer quase o jogo do gato e o rato. Criar um cantinho à margem do mundo. Para que no fim, ainda possa sobrar um pouquinho de espaço na nossa alma para podermos viver e criar, para enfim, sermos pessoas, indivíduos. Sejamos selectivos. A vida é feita de escolhas. Não temos que papar tudo. Nem devemos.

1 comentário:

Maria do Mundo disse...

Gostei muito, muito mesmo desta forma de estar.