quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A modelo negra que era negra demais


Estando a viver em Londres, cruzei-me com todo o tipo de pessoas, naquela que é definitivamente uma sociedade aberta com uma grande representatividade multi-racial. Mas mesmo neste "mundo" ocidental desenvolvido, acaba por se conhecer uma ou outra pessoa, minimamente formada e criada na Europa moderna, com um grande preconceito contra a pele mais escura. Chamando os bois pelos nomes, mostram mesmo nojo contra a pele mais escura. Curiosamente, antes de viver neste ambiente multi-cultural, eu pensava que havia menos racismo no mundo. Pode-se dizer que eu era ingénua, mas os media faziam-me ter essa visão. E faz-me pensar que a Europa politicamente correcta do pós-colonialismo, pós-escravatura, pós-guerra, pós-holocausto, não passa de uma manobra de marketing. Os anúncios publicitários ingleses, em que os casais são sempre inter-raciais, o que estão a querer provar? Se dentro de muitas casas isso não é ainda considerado normal. O Brasil, fundado por Europeus e Africanos, e que pelos vistos, ainda não obedece ao marketing inter-racial, é sem dúvida o lugar ideal para fazermos uma análise antropológica ao racismo. O que é que, nesta sociedade de hoje, ainda leva as pessoas a odiar a pele escura, ou, mais caricato ainda, a fingir que odeiam?

Sem comentários: