domingo, 17 de janeiro de 2016

Mais um dos meus lugares

Provavelmente já falei aqui do edifício/monumento que mais gosto em Londres. Aqui há de tudo, do mais antigo ao mais moderno, edifícios centenários super bem conservados, e os novos arranha-céus que nos põem a pensar "quem é que teve aquela ideia?" ou "como é que construíram isto?". E tudo se mistura na panorâmica da cidade. Mas nesta mixórdia toda, eu sempre tive o meu favorito, a catedral de São Paulo. Não sei explicar, mas é um edifício que me deixa "uau!" cada vez que ali vou. Eu sempre gostei de catedrais. Catedrais e pontes são para mim, as grandes obras de arquitectura por excelência. A catedral de São Paulo não foge à regra da grandiosidade e da minúcia dos detalhes, mas é também a sua História que me apaixona.
A catedral foi construída primeiramente como uma igreja, a primeira de Inglaterra, no ano de 604. O edifício foi reformado em 1087 e transformou-se numa catedral, que foi destruída pelas chamas do Grande Incêndio de Londres de 1666. Alguns anos após o Grande Incêndio, como parte do projecto para reconstruir o centro da cidade, é decidido não reconstruir o antigo edifício mas sim uma nova catedral. E São Paulo renasce, em 1697, com uma nova cara, a que conhecemos nos dias de hoje. Para mim, o lugar é símbolo da resistência e da persistência do ser humano em reerguer o que nos é derrubado.
Um pequeno pormenor: Sir Christopher Wren que arquitectou a catedral e o centro de Londres depois do Grande Incêndio, está lá sepultado algures, e dentro da catedral pode ler-se numa pedra "se está à procura do túmulo de Christopher Wren, olhe em sua volta". Lindo.
Durante a minha vidinha aqui, fui lá várias vezes à missa, uma delas na manhã do meu primeiro Natal em Londres. Tivémos que caminhar porque não havia transporte público, e eu ainda adormeci a meio, mas valeu a pena. Outra verdadeira peripécia foi quando ia no bus a caminho de casa, digamos que bastante alcoolizada, e vejo a catedral e começo a insistir com o meu amigo para sairmos do bus (era uma madrugada de Janeiro e estava um frio de morte) porque eu queria ir lá. Enfim. Tudo se resume agora a uma foto que o meu amigo tem de mim deitada na escadaria, parecendo um cadáver abandonado. Eu faço a festa onde me apetece.






Quando parei para tirar esta última foto, uma rapariga que ia a passar por mim diz-me a sorrir  "Beautiful, hein?", eu sorri também, "Yes, really beautiful...".
 

1 comentário:

Maria do Mundo disse...

Sem dúvida que é bonita. E tu gostas mesmo, mesmo.