quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Mas antes da meia-noite, deixem-me dizer

O ano de 2015 está agora nos últimos cartuchos. As pessoas já nem pensam nele. Aguardam ansiosamente pelo próximo ano e por novas resoluções. Tudo o que se refere a 2015 resume-se agora em avaliações à sua prestação. E todas as pessoas que escrevem agora nas redes sociais que mal podem esperar para que este ano acabe, foram provavelmente as mesmas que ansiosamente esperaram a sua chegada há um ano atrás.
Eu entendo. Com o começar de um novo ano, há sempre uma nova esperança de que tudo vai melhorar, como se a meia-noite do dia 1 de Janeiro fosse a mesma da estória da Cinderela, mas ao contrário. A meia-noite não é o fim do feitiço mas o começo. A abóbora transforma-se num BMW, o vestido da Primark transforma-se num Oscar de La Renta, e em vez da Gata Borralheira fugir do baile completamente desaustinada, entra estilosamente no palácio onde caminha em direcção ao príncipe encantado (e perde cinco quilos entretanto) que lhe dá um daqueles beijos com pardais a cantar à volta, e vivem felizes para sempre, ou até à meada de Janeiro.
Não me interpretem mal. Não estou a tentar comprometer as celebrações do Ano Novo.
Sim, sou uma pessoa cínica q.b., e algo dada ao pessimismo, embora ninguém desconfie. É que eu até tenho aquela atitude canina de que tudo é fantástico.
O que eu quero dizer é... esta minha minha teima com a passagem de ano, não tem a ver com as resoluções nem com a esperança que tudo vai melhorar. Eu adoro novas resoluções e adoro mudanças. Apenas penso que essas podem ser feitas a qualquer dia do ano. E sempre me fez um bocadinho de fastio toda a máquina que gira à volta dos festejos do Ano Novo. As pessoas parece que ficam parvas. Pagam balúrdios para entrar em discotecas, com a bela da indumentária all black, ou então gastam ainda mais balúrdios para viajar. Enfim, cada um faz aquilo que quer com o dinheiro que tem (ou que não tem?), e têm toda a liberdade para tal, mas não deixa de me fazer uma certa confusão. Eu costumo - mais-ou-menos - ter planos para a passagem de ano. Sei, sou uma hipócrita. Eu não disse que não gostava de festejar, eu adoro festas! Só não fico maluca. Mas já tive algumas inesquecíveis, e tive outras, meh. E sim, tive um par de réveillons em que viajei e outro par em que fui para discotecas, e outro em que fui com amigos ver, ou tentar ver, os fogos-de-artifício em Londres. O resto passei em casa com a família ou com amigos, assim mesmo como eu gosto, a paparicar e a rir pela noite dentro, ou a bater tachos desalmadamente (quando estou com a minha mãe é uma alegria), para espantar as maleitas.
Mas de volta às resoluções. Como aquela música dos U2, eu também acho que nada muda no dia de Ano Novo, se nada fizermos para mudar, obviamente. Todos os anos peço saúde e paz para mim e para os meus, mas resoluções... Penso que só em duas ou três vezes as fiz, mas levei-as a sério. E mantive, e pelo menos as mais importantes concretizaram-se. Nos outros anos deu-me a preguiça de sequer pensar nisso, e "meh, não vai mudar nada mesmo". Mas porque eu sabia que não ia mudar. Não tinha nada no meu horizonte.
A verdade é que sempre me perguntei como é que as pessoas sabem que o próximo ano vai ser diferente. Ora, simplesmente sabem. Às vezes apenas se sente que algo vai mudar. Eu sei porque também já senti isso. E nas outras vezes, é o que está no horizonte. A vida tem guardadas as melhores coisas para o ano seguinte. Poder ser o nascimento de um filho, um casamento, um novo projecto, uma mudança de casa, uma viagem... E é por isso que há pessoas que dizem "mal posso esperar por 2016, vai ser fantástico". E agora sei. E prometo a mim mesma, não voltar a entrar num novo ano sem um "horizonte".

1 comentário:

Maria do Mundo disse...

Também nunca tenho resoluções. Quando decido mudar, mudo aqui e agora já. Seja como for associo sempre a passagem de ano à abertura de uma nova página do mesmo livro que é a minha vida.