domingo, 13 de setembro de 2015

O voto do... meh

Veio-me hoje ao pensamento que daqui a menos de um mês, serão as eleições legislativas em Portugal.
Quando era mais nova, tinha mais consciência política do que agora. Não participava activamente na forma do "fazer parte de alguma juventude partidária ou assim", mas tinha opiniões e tinha tendências. Vivia mais informada, e acima de tudo, sentia aquele grande dever de ir votar. Não entendia a abstenção e até me dava raiva. Votei algumas vezes em branco porque, para mim sim, esse é o voto do protesto (eu sei que o voto é secreto).
Lembro-me de quando era pequena ir acompanhar os meus pais nos dias das eleições e pensar que mal podia esperar para me ser também dada aquela honra. Lembro-me de ter sentido essa honra a primeira vez que fui votar em 2005.  Achava (e ainda acho) a democracia assim para lá de espectacular.
Passados dez anos da minha primeira ida às urnas, as minhas circunstâncias mudaram tanto, que me tornei um daqueles zombies que vivem a leste do que acontece com os nossos governantes e deputados. Ok, também não estive presa (no pun intended), tenho acompanhado alguns títulos. Mas já não tenho opiniões, nem tendências políticas.
Assim de longe, acho que todas as cores fazem falta no parlamento, mas não conheço a grande parte dos candidatos e principalmente as suas propostas (se é que isso conta para alguma coisa, já sabemos). Venho daquelas famílias, a escassear em Portugal, que ainda olha para a política com a melhor das intenções, isto é, sem interesses. Mas talvez por isso mesmo, hoje em dia já não tenho pachorra para política. Vi tanta coisa a nível local que pode muito bem ser um espectro do que acontece a nível nacional. Mas somos um país da Europa do sul, análogos a esta "individualidade acima da comunidade", e assim, como já foi dito muitas vezes "nunca chegaremos a lado nenhum". De resto que prevaleça a esperança, e que um dia possamos ter de novo essa visão romântica do líder que nos conduziu a bom porto, mesmo que seja só reconhecido uns cem anos depois. Embora não dê muito jeito, que já não estaremos por cá nessa altura, os poucos de nós que não são vampiros.




1 comentário:

Joana disse...

O meu entusiasmo também tem desvanecido com os anos. Acho que a política, e mais concretamente as palhaçadas que acontecem a Portugal sem que haja consequências, nos desilude tanto que atingimos um ponto de exaustão.