segunda-feira, 16 de março de 2015

Há dias assim

Há dias, em que mais do que outros, sentimos a falta daqueles que melhor nos conhecem. Há dias, em que mais do que outros, valorizamos essas pessoas e percebemos, como se não soubéssemos já, que elas são a melhor parte da nossa vida. Elas são a felicidade, o amor, a paz, a esperança e a saúde. Elas são a sorte.

E todos os dias são dias de nos lembrarmos dessas borboletas que trazem a primavera às nossas vidas. Mas há dias em que temos que puxar por nós e lembrar da primavera que nós também trazemos à vida delas. Há dias em que temos que nos lembrar que quem melhor nos conhece é o espelho da nossa alma. Porque um dia decidiram dar-nos mais do que cinco minutos de conversa, ou nos convidaram às suas casas, ou porque partilhámos comida e medos e alegrias com a mesma fome, ou porque vieram conhecer os nossos lugares.

Há dias em que temos que nos lembrar desses espelhos que reflectem o nosso carácter, e que em tudo, retribuem amor, verdade e alegria.
Há dias em que faz mesmo falta estarmos rodeados daqueles que nos conhecem. Daqueles que sabem exactamente o que vai na nossa mente, daqueles que conseguem ver a virtude e a nobreza no nosso estranho jeito de ser, daqueles que se nos virem cair uma lágrima, choram connosco e nos dão um doce, daqueles que se riem da mesma piada ainda antes de a vocalizarmos, daqueles que reconhecem o que já fizémos para chegar até aqui, daqueles que sabem que somos um rio profundo, e que os rios profundos correm com menos barulho.
Que sorte eu ter tanta sorte!

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