domingo, 24 de agosto de 2014

Double D's



Vamos lá desmistificar o que é isto de ser uma mulher com peito grande.
Habitualmente, as mulheres de peito pequeno olham para nós como se fôssemos unicórnios. Umas sortudas que tiveram dado a coisa que muitas mulheres mais querem. Pensam que temos tudo facilitado. Que chamamos a atenção onde quer que vamos. Que os homens ficam sempre de queixo caído. Que temos uma auto-estima do caraças. Basicamente que ganhámos a lotaria à nascença, ou melhor, na puberdade. Pois que não. Que nada. Somos iguais, sentimo-nos iguais no que toca às inseguranças com o corpo. Temos é inseguranças diferentes. A auto-estima de uma rapariga com copa DD pode ser uma merda, deixem que eu vos diga. E não, não deslumbramos, nem conseguimos o que queremos só por mostrar um decote. Primeiro, muitas de nós têm vergonha de usar decote. Porque mulher de peito pequeno com decote é elegante, mas mulher de peito grande com decote é putinha. O que tem piada porque uma camisa decotada é o que fica melhor num peito grande e atenua o tamanho. Na verdade, este é só uma das barreiras que encontramos.
Depois também há limitação em vários exercícios físicos. Resolvida por um bom soutien de suporte que custa os olhos da cara, e resolve a vida das amadoras. Alguma vez viram uma ginasta ou atleta de alta competição com o peito grande? Não, porque não podemos sonhar com isso. E comprar soutiens bonitinhos??? Uma tarefa não impossível, mas bem complicada. Principalmente em Portugal, chiça! No Reino Unido, felizmente, há bastante escolha, porque as mulheres aqui, em norma, têm o busto maior (e aleluia que encontrei a minha alcateia). E depois a imagem... Imaginem uma mulher de peito grande a fazer carreira intelectual, financeira, política? O que têm de se esforçar e aturar para se provar a si mesmas como mulheres, mas como se não bastasse, para provar que não são "só um par de mamas"? E que as suas escolhas de carreira não estão apenas limitadas ao cinema porno... Ah, então e o sexo masculino? Não, ao contrário do que possa ser dito, nem todos os homens gostam de mamas grandes. E depois há os homens que olham para nós e só pensam em sexo, sexo, sexo (modo zombie), seeeeeeexo. Podemos falar de Rembrandt ou de Teoria Quântica, ou salvar o planeta enquanto fazemos um soufflé, mas na cabeça deles somos só sexo. E depois a roupa... E aqui entra a indústria da moda, e as imagens que recebemos dos mass media afectam imenso. Camisas lindas, vestidos lindos, mas tudo num corte feito para mulheres lisas, as modelos de alta costura são uns palitos sem peito, que se podem dar ao luxo de não usar soutien (sim, isso é um luxo). E damos por nós a querer ser aquelas actrizes francesas (não a Brigitte, obviamente), tão elegantes e despreocupadas a usar Chanel e a saltitar como mariposas.
E quando as minhas amigas dizem que queriam ter um peito como o meu, não imaginam a quantidade de vezes que eu sonhei ter um peito como o delas. Quer dizer, imaginam, porque eu faço questão de lhes dizer, mas mesmo assim não entendem. Agora que já sou crescidinha, e se há coisa boa que isso traz, é segurança naquilo que somos, não me preocupo mais com isso. Já deixou de ser um complexo, e cada vez mais o vou encarando como um atributo.
Ah pois! Mas isso porque as coisas têm vindo a mudar um pouco. Nos anos 90 e 2000 era moda ter o peito pequeno, mas recentemente, pouco a pouco, o peito grande está a marcar território (atenção, isto não é uma competição), graças a umas quantas cachopas talentosas, inteligentes e lindas de morrer. Kat Dennings, Christina Hendricks, Salma Hayek, Scarlett Johansson, Sofia Vergara, Katy Perry... obrigada por existirem, vocês são o máximo! Mas obrigada principalmente à menina da capa lá de cima, Kate Upton, que veio fazer a verdadeira revolução das mamocas, pondo as dela na alta costura, desfilando para nomes como Karl Lagerfeld, sendo capa da Vogue, já vão umas duas ou três vezes. E oh pá, é que isto das passereles a mim não me interessa nada, que eu não pesco nada disso, mas afecta a forma como a sociedade vê o corpo feminino, logo sim, afecta-me. A Kate é linda, e ela faz o que faz porque é bonita como o caraças. Que interessa se é peito pequeno ou peito grande? Ou mais ou menos curvas? Somos todas bonitas como o caraças e pronto. Ser mulher é vir em todas as formas e feitios, assim como a fruta que vem das quintas biológicas, e é a melhor, ha!
Seja A, B, C, D, E, F, ou Z. Get over it.

Desculpem lá o texto meio descabido, por vezes um pouco disparatado. Para compensar, tomem lá mamas!

Christina Hendricks, um charme

Scarlet Johansson, pretty in scarlet

Kat Dennings, wow
Salma Hayek, ay ay ay!
Kate Upton, almost topless and not giving a shit

Kelly Brook ou que sonho de mulher

Nigella Lawson ou que sonho de Milf



2 comentários:

Diana Machado disse...

por acaso estou muito bem com o meu corpo, tenho uma auto-estima construída por mim desde a adolescência, gosto de mim, e não tenho problemas em manifestar isso. o meu único problema no meu corpo, é de facto, a celulite e até mesmo essa eu não escondo. somos todos e todas tão únicas(os) à nossa maneira. também me chateia ouvir tanta reclamação sobre o próprio corpo, não sabem aprender a amar-se e são demasiado influenciadas pela sociedade. mas olha que houve uma fase na minha adolescência em que só pensava em ter mamas maiores, mas poder fazer um vistão, e hoje em dia entendo que queria isso pela minha auto-estima na altura estar em baixo. burrinha ahah

Diana Machado disse...

R: eu estava a ler algo parecido com "porque fazem os cavalos sombra no mar", algo assim, epá eu até estava a começar a perceber algumas coisas mas aquilo não estava a ser uma leitura que eu estava a apreciar, então pronto deixei.
Oh sim, chocolateeeeeeeeeeeee! faz? ahah q giro