segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Visita ao Guardian

Nestes últimos três meses estive a fazer uma formação de Jornalismo em inglês para dar um update ao currículo, mas sem nenhum objectivo em especial. Nem sei se quero voltar a trabalhar em Jornalismo, mas foi bom voltar a escrever artigos e principalmente praticar o inglês e aprender novas expressões.
Também aprendi uma ou outra coisa nova. Nunca tinha escrito por exemplo um obituário, que foi um dos trabalhos que mais me deu gozo fazer, já que tivémos que escrever obituários para pessoas ainda vivas, algo que é muito comum fazer nas agências noticiosas, principalmente quando as personalidades já são mais velhinhas ou vivem estilos de vida perigosos. Eu "matei" o Woody Allen e acho que foi dos meus artigos aquele que a professora mais gostou e disse ser uma pena não poder publicá-lo na nossa newsletter de fim de curso porque o homenzinho ainda está vivo, né. Mas lá estará um artigo de opinião que escrevi sobre as feministas FEMEN, um vox pop sobre os preços da habitação em Londres e uma film review.
Na penúltima semana tivémos como presente, uma visita de estudo ao quartel-general dos jornais "The Guardian" e "The Observer". Ficámos a saber sobre a história do jornal e como é o dia-a-dia da redacção. Ficam pormenores interessantes como: o "The Guardian" é o único jornal em que a reunião de redacção da manhã (aquela em se discute o que está na ordem do dia e se decide sobre o que se vai escrever) é aberta a toda a gente, literalmente toda a gente que trabalha lá. Até os senhores da limpeza podem lá aparecer e dar uma sugestão para uma notícia. E o jornal tem três edicões quando é impresso durante a noite, ou seja, é actualizado três vezes, sendo a última às quatro da manhã. Como os pontos de impressão são em Londres e Manchester, isso significa que é nestas áreas que se vende a última edição impressa, ou seja, as notícias mais fresquinhas, caso aconteça algo durante a noite. Como pode acontecer. Eles mostraram-nos o exemplo do dia em que a actriz Farrah Fawecett morreu em Junho de 2009. Uma bonita imagem na capa, primeira edição impressa e prontinha a ser distribuída, mas alguém mais famoso morreu nessa noite... Michael Jackson, e não havia nada escrito, porque ninguém esperava, e o jornalistas de música estavam todos no festival de Glastonbury de onde não podiam recolher material nenhum. Acabou por ser o editor de desporto a escrever o obituário para o MJ a velocidade-luz para imprimir na última edição (e safou-se bem pelos vistos). O que não impediu quem morasse nos cascos de rolha, tipo Cornualha e afins, recebesse o Jornal com a Farrah Fawcett na capa. Claro que com a internet e o facto que é lá que toda a gente lê notícias e já ninguém compre jornais de tiragem diária, isto pouco valor tem, mas eu acho sempre piada a estas estórias, e faz-me sempre lembrar que esta profissão tem aquela adrenalina que a torna deveras interessante.
E para cereja no topo do bolo, tivémos a oportunidade de conversar e fazer algumas perguntas ao jornalista Peter Walker, o que veio mesmo a calhar, já que foi este mesmo que investigou o caso das três mulheres mantidas escravas numa casa de Londres.
Depois de falarmos sobre isto e aquilo, ele deixou algumas palavras àqueles de nós que ainda querem ser jornalistas "What I love in this job is to tell the truth that some don't want to tell. I have never regretted to become a journalist. You have to accept that your job will never make you rich, but it will be worthy".








Sem comentários: