segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Objectividade ou um parafuso a menos na cabeça?

Dou por mim muitas vez a pensar se a vida não seria bem mais fácil se as pessoas admitissem o que querem, e falassem directamente. Preto no branco, sem joguinhos nem meias voltas. Nem meias verdades, nem ironias. Assim um dá cá, toma lá. Exemplos: "estou atraído(a) por ti!", "quero ser o melhor do meu bairro", "tenho herpes", "ressono", "só estou aqui porque estou interessado naquela pessoa", "o meu salário é X", "não sou capaz de fazer isto sozinho", "gosto de gordinhos(as)", "quero companhia", "quero estar sozinho", "o meu sonho é conhecer o José Cid", "detesto o lugar onde nasci", "nunca li Os Maias", "gosto de levar tau tau", etc. Podia arranjar melhores exemplos mas foi o que me veio à cabeça.
Não, isto não vem assim do nada. É que um amigo meu mostrou-me o outro dia umas mensagens que tinha trocado com uma amiga que está no Brasil:

"-oi!
-oie!
-como vão as coisas por aí?
-frias, e aí?
-calor...
-ushua
-quando vamos casar? estou farta dessa merda!"

Louca? Pergunto-me se não será mais sábio aquele que vai directo ao assunto. Podemos achar que a sabedoria está em pensar e analisar bem o que fazemos para evitar consequências, mas, quem põe logo à prova o que quer, evita perder tempo com ilusões, e ganha mais tempo para ir atrás do que realmente importa e pode alcançar. Quem sai do armário e admite o que é, evita cansar a mente com as mil maneiras de se camuflar, e liberta-a, podendo criar e aprender coisas verdadeiramente importantes. São os nha nha nhas que nos prendem. Claro que não quero com isto dizer que devíamos desatar todos por aí a fazer e dizer o que nos apetece. Há que conter a franga quando está em causa o bem-estar dos outros. Mas, bolas, uma ou duas queimadelas nunca mataram ninguém, e por vezes, para o nosso próprio bem, para podermos seguir em frente, e limpar a consciência, temos que saltar a fogueira. E é como dizem, nunca ninguém saiu desta vida vivo, portanto...
Penso que com a idade também vamos deixando de nos importar com merdices e depois de umas bofetadas bem dadas da vida, percebemos que tempos pouco a perder.
Eu não me comporto assim, mas tento. Sei que ainda estou muito presa dentro do armário no que concerne a várias coisas. Mas dia após dia faço qualquer coisa que ajuda a abrir a porta mais um bocadinho. E cada vez que deixo a porta abrir mais um pouco e a luz entrar, sinto-me melhor e gosto mais de mim. What I say is: todos nós queremos saber quem somos. The big question. QUEM SOU EU? To be or not to be? Nunca o vamos saber enfiados dentro de um armário às escuras.
Já o meu amigo é bastante directo no que toca a certas coisas. Por exemplo, é indivíduo para dizer logo a uma pessoa que está interessado nela e diz que já passou por maluco e desesperado por causa disso. Há sempre um preço a pagar, mas hey, passado duas semanas, quem se lembra? Nem nós. Porque depois da tempestade vem sempre a bonança. Mas oh, já estou para aqui a divagar... Será isto mais um nha nha nha? Um dia destes vou experimentar ser directa de manhã à noite. Porque não já amanhã? Se calhar não é o melhor dia, estou no trabalho, há muita gente... Pois. Falar é fácil mas a verdade é que a vida não é assim:


Mas bem que podia ser.


1 comentário:

Portuguese Girl With American Dreams disse...

Concordo. Acho que com idade deixamo-nos de preocupar com certas coisas. Asuntos que antes nem queria tocar neles agora falo sem qualquer problema. Ja perdi por nao falar e por falar por isso..