sábado, 21 de setembro de 2013

When West met East

O trabalho leva-me por vezes a movimentar-me de oeste a este de Londres no mesmo dia. Nesses meus trajectos claro está que faço muito people watching, e é curioso ver que dois lados da mesma cidade são duas diferentes realidades.
A diferença começa nos surroundings, na arquitectura e perpetua-se no ambiente que se sente.
Sim, não é segredo ou mistério, o este de Londres não é tão bonito, é cinzentão, é quadrado, sisudo por vezes. Não tem o mesmo glamour ou luxo do centro e oeste. Quando se passa de Aldgate, é muito "fabril", muito igual e repetido.
Mas não é um cenário de um filme de terror, longe disso. É cheio de pessoas e vida. Eu não considero que o este de Londres é para o "ghetto" como muita gente afirma. Sim, é nesta zona que vivem muitos emigrantes, muitas famílias que não têm tantas possibilidades e não outra escolha senão a de viver no lado feio e barato (ou não tão caro). Se bem que as comunidades de emigrantes estão espalhadas um pouco por toda a cidade, norte, sul, este, e até oeste (entra aqui a piada de um amigo meu que dizia que White City é tudo menos white). Mas sim, o oeste é predominantemente dos "riquinhos".
O Este é a Londres árabe, a Londres do oriente (bom, talvez Knightsbridge leve o título, o nosso amigo Vale e Azevedo não se importou nada em viver lado a lado com os árabes), onde quase todas as ruas cheiram a caril. Mas nesta Londres árabe habitam também muitos europeus e muitos ingleses. Velhos e novos. Com diferentes ocupações. Também andam por lá muitos profissionais e muitos artistas. O Este tem vindo a mudar drasticamente nos últimos anos. A abertura do Whestfield Shopping centre e a construção do estádio e da aldeia olímpica em Stratford foi o grande motor da mudança que se continua a fazer para uma cidade cada vez mais uniforme. Mas também não acho que o Este tenha que perder a identidade. É diferente, e tem que se manter diferente. Pois que não podem ser só casinhas vitorianas por todo o lado. Venham daí outros edifícios. A população da capital continua a crescer e temos que caber cá todos. Falta de espaço por enquanto não é problema, esta cidade geograficamente parece que não tem fim. E para que lado vai estender? Hmm. Aos poucos e poucos, a fronteira invisível que separa o Este e o Oeste de Londres vai deixando de existir. Não, não se trata de nenhum muro de Berlim, cruzes credo, mas sim uma diferença cultural. E agora vamos lá à questão, isso é bom ou é mau?

Typical East

Typical West


Opinião prática da Jolly: Eu nem vivo nem a Este nem a Oeste, vivo no centro, ali bem no meio, abaixo do rio. Por isso e que opino! Adoro viver aqui porque estou perto de tudo, há muitos transportes e a Tower Bridge está a 15 minutos a pé. Demoro apenas 30 minutos a chegar ao trabalho, 20 minutos nos dias em que o metro ajuda. Já vivi no oeste, em West Kensington, onde até quartos partilhados podem ser estupidamente caros, e os meus colegas brincavam comigo e diziam que eu era "posh". Foi a minha primeira casa em Londres. Gosto mais de viver aqui. Se me mudaria para East London? Sim, para uma casa jeitosa com uma renda sensata. Mas nunca para lá de Stratford.

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