segunda-feira, 30 de setembro de 2013

La Cage Dorée


Finalmente vi o filme. Devo confessar que tinha muita curiosidade e estava ansiosa por ver. Desde logo por ser uma comédia que brinca com estereótipos. E estereótipos portugueses são talvez aqueles com que eu rio mais. Não me sinto afectada com piadas de portugueses. É como aquelas situações ridículas que nos acontecem e nos deixam envergonhados, mas que passado semanas, meses, anos, são as situações que mais nos fazem rir. Depois, achei que o filme me iria dizer muito, por ser filha de emigrantes na França e por eu também ser emigrante.
Lembro-me que há uns tempos houve uma algazarra porque o Miguel Esteves Cardoso disse que o filme era "uma merda". E alguns comentaram que quem nunca foi emigrante ou não tem emigrantes no estrangeiro não iria entender o filme. Pois, sei lá eu com que olhos o MEC viu o filme. Com um olhar crítico, seguramente. Mas como não li a crónica em questão, não posso falar. Falaria ele mais do aspecto técnico? Ou não gostou mesmo da trama?
Eu só por mim posso falar, e a verdade é que ri muito e emocionei-me com o filme. Vi com um amigo português e outro brasileiro. E também eles riram e ficaram com a lágrima no canto do olho.
A verdade é que as personagens dizem-me tanto, como se fossem inspiradas na minha família, na gente que eu conheço. E todas as situações. A minha família regressou a Portugal mas eu imagino que muitas daquelas coisas iriam acontecer comigo se tivéssemos ficado a viver em França.
E toda a "portugalidade" do filme fez bater uma nostalgia cá dentro. O apego à família, ao trabalho e os brandos costumes. Ser português é tão depressa discutir com os pais/filhos/irmãos como abraçá-los. É encher o prato, levar a marmita atrás p'ra todo o lado, e estar o tempo todo a falar de comida. É passar um ou dois dias a limpar a casa quando se recebem visitas. É gostar da bola. É criticar a vida dos amigos no café, mas ajudá-los quando precisam de nós. É gozar a vida reunindo família e amigos à volta de uma mesa. E ser português é ser saudoso, e altruísta, e mexeriqueiro, e desenrascado.
Sim, são estes os adjectivos com que eu descrevo os portugueses, com que eu me descrevo a mim.
O realizador Rúben Alves dedicou o filme aos pais. Sortudos eles por ter uma homenagem tão doce. Há muitos "Rúbens" na França e em Portugal que tenho a certeza que se vão identificar com o filme. Sem dúvida que ele captou bem uma realidade, a emigração, que está tão presente na nossa cultura, mas da qual não se fala muito em Portugal. Algo que até se calhar se evita? Mas porquê? Quando os portugueses fora do país são na maioria cidadãos exemplares, trabalhadores aplicados e excelentes companheiros? Será porque as mulheres têm bigode, é isso? Ora bolas.
Somos um país com uma identidade muito forte. Temos jeitos tão próprios e não sabemos. E sim, a nostalgia. A nossa nostalgia é tão bonita. Porque somos passionais. Somos saudosos do passado e saudosos do futuro. Ora vejam só o que eu p'ra aqui me pus a escrever só para falar de um filme que vi no sábado à tarde. Tchh. Sou mesmo tuga.

1 comentário:

Joana disse...

Ando em pulgas para ver esse filme. A emigrante que há em mim sabe que vai gostar dele, rever-se nele e sentir a nostalgia de que falaste. Eu sou a "primeira" a criticar Portugal e certas atitudes portuguesas mas a verdade é que temos qualidades maravilhosas que fazem de nós um povo único.
Beijinho