quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Tchhh onde é que isto já vai!

Que já lá foram as férias e um mês de trabalho passados. Setembro está quase aí, e curioso é que o tempo ainda anda bom por estas bandas (desconfio que este verão vai ser muitas vezes lembrado no futuro). O sol brilha, a temperatura ainda aquece bem e pelo ar ainda anda aquela preguiça típica deste tempo. Pronto, chega de descrições meteorológicas para encher o primeiro parágrafo.

As férias em Portugal foram boas, passadas em casa com a família, fazendo pouco coisa fora de casa, que a minha cidade está mais vazia e parada que sabe-se lá o quê. Desconfio que para o ano terei mesmo que tentar ir no mês de Agosto, feita uma genuína emigrante, se quiser ver alguma acção.
Mas isto de ficar em casa sem fazer nenhum também faz muita falta. Quer dizer, o acto de ligar a televisão foi um bocado deprimente. Os programas são todos exactamente os mesmos, todo um conjunto de disciplinas (dança, cantoria, mergulho) praticadas por "famosos" e, novelas. É que já nem para o programa do Goucha (o qual confesso que gostava de ver outrora) tenho paciência. Então não me sentei no sofá tantas vezes como tinha imaginado em momentos de súbito desespero de saudades dessa peça de mobiliário. Sentei-me talvez mais vezes na mesa da cozinha a comer. Isso sim, nunca perdemos o gosto. A melhor parte de voltar a Portugal, depois de ver a família e os amigos, é a comida. E desta vez abusei especialmente da fruta. Não por ser verão, não por estar de dieta, mas talvez por carregar em mim tamanha frustração com o preço que tenho que pagar pela fruta nos supermercados britânicos quando sempre vivi habituada a ter um fartote dela, baratinha ou de graça. Ok, talvez um bocadinho por ser Verão e haver cerejas e melancia e essas coisas, o que não exclui o facto de também ter comido maçãs desgraçadamente.

Desde que voltei estou numa fase de adaptação ao trabalho, a pensar se devo assumir mais responsabilidades ou não, se me devo esforçar mais ou deixar os meus cabelos brancos para outras coisas. A verdade é que não me posso queixar, tenho um trabalho óptimo e flexível, com pessoas super queridas e ompreensivas, e eles não têm culpa dos meus súbitos ataques infantis de "meh não estou a fazer nada útil para a minha vida". Estou, estou a trabalhar. E há muita gente que desejaria poder dizer isso, e poder ter uma situação de trabalho estável como a minha. Pois, então vamos ser crescidinhos.
E como a vida é mesmo assim, e tem que se fazer dinheiro para poder fazer as coisas que gostamos, tenho aproveitado ao máximo o meu tempo livre.

Este último mês foi dedicado a explorar Londres, e fiquei a conhecer muitos locais da cidade onde nunca tinha estado, acompanhado pelo grupo que se está a tornar "o do costume". Queremos aproveitar o verão para fazer muitas actividades outdoors e deixar os programas indoors para o Inverno, logo os meus domingos têm sido passados na rua de manhã à noite.
Este último fim-de-semana foi grande (última segunda de Agosto é o feriado de Verão) e usei-o para ir dar uma volta ao norte, e fui visitar Birmingham e Manchester. Cidades diferentes. Achei-as lindissimas. A sério, quem disse que estas cidades eram cinzentas e deprimentes? Ok. Têm aquelas zonas fabris e abandonadas, um pouco suicido-susceptíveis mas nada que não haja também em Portugal (e muito mais abandonado!), e não temos a mesma cena musical, mas quase, à nossa maneira.
Birmingham, cidade calma e fofinha, cheia de canais (Veneza inglesa), e pessoas simpáticas. Manchester, inebriante, jovem e fantasticamente desenhada (eu tive que me controlar para não tirar fotos a todos os edifícios). Eu e o Silverboy que viajou comigo comentámos várias vezes como Manchester não parece uma cidade inglesa. A arquitectura, as cores, as pessoas, o movimento (e talvez o facto de estar calor) fizeram-me pensar que estava numa qualquer cidade de Espanha.

Todas as outras cidades de Inglaterra que visitei até agora são tão diferentes de Londres, e todas me encantaram à sua maneira, e sempre digo "eu era capaz de viver aqui". Quem sabe. Por todos estes sítios eu falei com locais, que, depois de eu dizer que vivo em Londres, olham para mim com aquele ar curioso, assustado e admirador de quem está a olhar para animal de zoo, e me perguntam sempre como é viver em Londres e que eles não seriam capazes. Eu tenho esta sensação que nós somos uma espécie de aliens, mesmo estando a poucas centenas de quilómetros, a capital é um outro universo e quem lá vive são uma cambada de malucos. E é engraçado, que quando visito estas cidades mais "caseiras", regresso à selva urbana com aquela sensação de que estou a regressar ao leito. O hábito faz o monge.

Mais logo partilho fotos e outros pensamentos extremamente interessantes do dia-a-dia.


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