sábado, 6 de julho de 2013

Dates

O verão é aquela altura em que ficamos orfãos de séries. Culpa dessas HBO, CBS e afins.
Claro que consumir tv como se não houvesse amanhã é coisa para se fazer no Inverno, porque o tempo lá fora está uma porcaria e é melhor ficar em casa com um canecada de chá ou chocolate quente e uma manta a tapar as pernas.
Em Portugal, a programação durante Julho e Agosto é um tédio, quer dizer, nem existe. Não que seja melhor durante o resto do ano. Nos canais britânicos pouco se nota a diferença, com a excepção, claro, que os programas de caça talentos e reality shows também abundam mais durante o ano lectivo, principalmente entre Setembro e o Natal, época de ouro televisiva. Também o curto espaço de tempo em Downton Abbey é transmitida. Snif.
Mas no Verão também se vão apanhando umas coisas interessantes. Há sempre drama series a serem lançadas, e algumas delas bem originais.
É o caso de Dates, do Channel 4. A ideia desta série e a forma como está escrita e produzida, é a meu ver, genial. Cada episódio tem 35 minutos e gira à volta de um first date. Tudo se passa em pouco mais de dois, três cenários com apenas duas ou três personagens em cada episódio. Estas personagens vivem em Londres, e procuram um parceiro através de online dating. [Aliás, esta série acaba por incidir num tema bem actual, já que a procura de amor online é muito comum em Londres e tem cada vez mais adeptos. O outro dia li no jornal que no Reino Unido nove milhões de pessoas usam dating websites, imagino que grande parte deste número seja só da capital. Mas isto já é outra conversa. Voltando à série.]
No início da série, parece não haver nenhuma relação entre as personagens, como de facto não há, e cada episódio retrata apenas um casal e um encontro. Mas à medida que a trama se desenvolve, as estórias vão-se cruzando (já foram transmitidos nove episódios até agora).
O que eu gosto principalmente nesta série é a escrita genuína, os diálogos e o amazing acting (sem ser pretensiosa, dizer fantástica representação não tem o mesmo impacto) que nos faz sentir que estamos ali sentados à mesa com eles, a sentir aquelas palavras e aqueles silêncios na nossa própria pele. E cada personagem ilustra um diferente tipo de pessoa. Não há bons nem maus, apenas pessoas com as suas mágoas, medos e fraquezas que não querem estar sozinhos. É incrível como cada episódio me surpreende. Por isso que os acho tremendamente bem escritos. Duas pessoas sentadas a uma mesa a conversar... pensamos que não há muito que pode acontecer, certo? Mas não, a trama é imprevisível a cada minuto, e consequentemente viciante.
Não há muito mais que eu possa dizer sem dar spoilers por isso fica aqui a sugestão.
E uma sneak peek.

 

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