terça-feira, 25 de junho de 2013

Lusting for love

O amor na grande cidade é uma coisa estranha. O amor é um lugar estranho. Love or lust, dizem eles. Lust is everywhere. É a luxúria que move os passarinhos loucos de Londres. Mas por todo o lado eu vejo olhares inseguros e interrogatórios de vidas solitárias. Olhares que procuram outros olhares, e depois fogem. O sorriso que se apaga a meia chama, o corpo que se move e se afasta, porque tudo é no final de contas, um lugar estranho. Porque a luxúria fica na rua quando se bate a porta de casa, e não é mais motivo para contentamento, mas voltará. Na manhã seguinte, no final do dia, na noite que tarda e rapidamente se dilui. O amor é o plano furado à última hora, é um café adiado, é o desencontro, é aquela peça de roupa que se quer usar e não se encontra, é a conversa que se vai adiando. O amor vive mesmo de ser adiado. Alimenta-se no amanhã e, sem esperança, nunca existiria. Existe no infinito. O amor é pura e simples matemática que podemos compreender mas nunca alcançar. A álgebra que nos faz dizer "mas para que é que eu preciso disto no meu dia-a-dia?" sem nos apercebermos que estamos sempre a usá-la ou rodeados por ela. O amor espera-se, a luxúria partilha-se, e tudo o resto... são recordações.


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