terça-feira, 14 de maio de 2013

A weekend in a Londoner's life a.k.a A veeeery long post

Foi assim que decidi intitular a visita do meu irmão, já que fizémos uma pequena variedade de coisas, desde o mais turístico ao que se pode considerar mais "rotineiro".
Foi um fim-de-semana curto mas recheado de grandes momentos, e deu-me uma nova energia. Por matar saudades, mas também por ver Londres pelos olhos de quem não vive aqui. Mostrar a cidade a outra pessoa funciona sempre como um reminder (lembrete é uma palavra muito estranha) das razões pelas quais gostamos de aqui estar.
Ora então, sexta-feira lá chegou ele, sem grande atraso no vôo e liga-me. Como tínhamos combinado que só me mandaria uma mensagem quando estivesse a caminho do centro, pensei logo o que se teria passado. Ele diz-me que tinha perdido o autocarro que tinha reservado e perguntou-me o que eu aconselhava naquela situação. Ora, como fui eu que lhe reservei o bilhete, e para vocês perceberem como é o meu irmão (mais velho que eu), eu certifiquei-me ao fazer a compra que ele teria tempo de sobra para o autocarro, aliás porque os senhores motoristas simpáticos deixam entrar antes da hora reservada se houver lugares. E eu digo-lhe "olha para o teu bilhete, que hora é que lá está?", "ah, confundi-me, só me lembrava do 45 e pensava que era 13h45". Ai Nossa Senhora me dê paciência para estes cabeças no ar. Que eu sou cabeça na lua, mas sou organizadinha (depois já vão perceber melhor).
Desfeito o dilema, ele entrou logo no autocarro que estava parado, como eu lhe disse para fazer, poupando-se assim a quase uma hora de espera, digam lá que eu não sou uma irmãzinha querida.
Como eu sabia que esse autocarro não faria muitas paragens e só demoraria cerca de 40 minutos, e queria estar na paragem antes que ele chegasse (sou mesmo muito fofa), enfiei o café pela goela abaixo e segui ao encontro dele em Marble Arch. Depois de estar à espera há uns bons minutos sem sinais do dito autocarro, e a tentar vislumbrar o meu irmão por entre dezenas de putos belgas, arre, ele liga-me, e afinal o motorista decidiu acabar o seu percurso em Baker Street. Ctxx Ctxx, quer dizer que eu apanhei um tsunami de putos belgas para nada. Sabe Deus a pouca paciência que eu tenho para me cruzar com excursões do ensino preparatório... Lá corri para o metro e fui encontrá-lo em Baker Street.
Viémos logo até Oxford Street, já que eu lhe queria mostrar o meu local de trabalho e apresentá-lo a alguns amigos, colegas e ex-colegas. Depois de tomar um cappuccino com a malta, seguimos com mais outro amigo meu, para uma caminhada até Waterloo. Ficámos um bom tempo parados na Westminter Bridge a olhar para o Big Ben, Houses of Parliament, London Eye, Tamisa... e claro, a pôr a conversa em dia. [No sábado bem que me doía a garganta de tanto ter dado à língua]. Aí apanhámos o autocarro para minha casa, e nos entretantos, um amigo dele liga-lhe para irmos tomar umas pints. Um inglês que ele conheceu no Luxemburgo e que vive em Londres. Como eu já tinha planeado essa noite, combinámos de ir ter com a personagem (e que personagem) no dia seguinte. Chegámos a casa, e primeira coisa que fiz foi logo tirar cerveja do frigorífico, ora pois. Brindámos com uma boa Ale e começámos a fazer o jantar. Depois de jantar, embarcar o resto da cerveja e mais uma garrafa de vinho, pusémo-nos a caminho de Camden Town. Como ambos gostamos de abanar o capacete ao som de uma boa rockalhada/punkada, levei-o até ao Barfly. Esperávamos ainda ver música ao vivo mas como neste país tudo acontece bem cedo, a banda tinha tocado às sete da tarde e toda a gente já estava bêbeda a curtir a playlist quando chegámos, por volta das dez da noite. Imaginem em Portugal, ir ver uma banda num bar... Se tocarem os primeiros acordes às onze da noite, já é com sorte... E é para aquecer, que às onze, os bares estão vazios. Haha. Identifico-me com o modo de vida de aqui, como disse ao meu irmão. Gosto de aproveitar a vida sem ter que me deitar, e consequentemente levantar muito tarde, e assim aproveitar o dia. A vida torna-se tão mais produtiva... São coisas. De volta ao relatório, bebemos muitas pints e adorámos a playlist, cheia de clássicos rock, punk, indie, metal. Músicas do meu passado, músicas do meu presente. O meu irmão até estava a usar a t-shirt de uma banda punk em que tocou. Ficámos até à hora do fecho, três da manhã e até às quatro ficámos a caminhar por Camden, que nem uns vadios. Adoro.
Chegámos a casa às cinco da manhã, e eu acordei às dez para preparar um decente english breakfast. Fiz salsichas, tomate assado, feijão, tostas, queques de mirtilo (awkward, blueberry muffins), e até juntei um pouco de inflluência canadense com panquecas e maple syrup (não sei que raio se chamará a isto em português mas se alguém souber). Estava eu para estrelar os ovos, quando o meu irmão diz que se calhar já era comida a mais. E como de facto era, mas o objectivo era mesmo encher o estômago e aguentarmo-nos até horas de jantar.
Começámos o dia com uma caminhada por Southbank até St.Paul's, com uma visita ao Tate Modern pelo meio, e um raspanete do meu irmão por nunca ter ido ver nenhuma peça ao Shakespeare's Globe. Mas é assim, quando se vive num sítio sem planos imediatos de ir embora, deixamo-nos estar e há muita coisa que fica por fazer. A juntar a próximos programas... Em St.Paul's, apanhámos o metro até South Kensington, onde visitámos o Victoria & Albert Museum e espreitámos o Natural History por fora, já que aquando da sua primeira vinda à Big Smoke, o meu irmão o tinha visto por dentro e não por fora (coisas de turista ignorante haha). Daí caminhámos até ao Harrods, vislumbrando os arábes ricos fumando as suas chichas cheirosas nas esplanadas e apanhámos o bus 14 na direcção oposta. Fomos ver Stamford Bridge (deverei dizer já aqui que o meu irmão é benfiquista?), e seguimos a pé até à minha antiga rua. Mostrei-lhe a minha primeira casa de Londres e fomos comer um kebab. Jantadinhos, fomos até ao café tuga lá do sítio (digamos que bem deprimente, mas não vou falar disso aqui) para ver o Porto-Benfica. Eu logo disse ao meu irmão que só lá ficaria os 90 minutos e nada mais. Ele acabou por dar-me razão. Oh se deu. Não estou aqui para criticar estereótipos, mas só vou dizer que eu e a T. tínhamos lá ido uma vez para ver o Portugal-Dinamarca, e foi uma experiência a esquecer. Até hoje, aínda é o sítio no qual eu me senti mais peixe-fora-de-água em Londres... Credo. Guetos. It's true! Mas vá, pelo menos deu para comer um pastél de nata, beber uma bica e uma Super Bock.
Como eu sou portista e o eu irmão do Benfas, a experiência acabou por ser pior para ele, embora lá no café fossem todos benfiquistas (coff coff claro...) e toda a gente me ter mandado raios pelos olhos quando festejei incontrolavelmente com aplausos o golo do Kelvin.
Fugimos logo dali no apito final e fomos ter com o tal amigo do meu irmão, que nos convidou para a houseparty em que estava, apesar de ser a festa de anos da namorada de um amigo. Ok. Lá fomos então, e percebemos antes de achar a casa, que ficava a uns cinco minutos a pé da minha. Deve ser por isso que relaxámos com o álcool. Eu ainda bebi umas cervejas mas nada de especial. Já o amigo do meu irmão passou a noite a beber gin tónico e a fazer beber aos outros. Todos os outros convidados, ingleses, nórdicos, americanos... foram embora a horas decentes. E nós, portugueses, para não deixar ficar mal a fama, ficámos a fechar a festa. Eram umas três da manhã quando saímos, isto porque o amigo do meu irmão já não se aguentava de bêbedo. O meu irmão, vá lá, decidiu parar ao quarto gin, que já estava bem quentinho, mas ele é daqueles que sabe disfarçar o álcool. Foi uma noite bem passada, deu para ficar a saber um pouco mais sobre a experiência do meu irmão no Luxembrugo e que ele fez lá bons amigos. Ainda introduzimos (credo, apresentámos) os cámones aos Ornatos Violeta e Silence 4. Falámos de esterereótipos europeus, música e futebol. O amigo do meu irmão, o típico cómico bêbedo inglês, mostrou-se extremamente preocupado com a minha felicidade em Londres e o facto de eu não ter cá família a tomar conta de mim. Um fofo. Um bêbedo fofo. Troquei número de telefone com a namorada dele que é portuguesa, ficando em aberto ir tomar um café. Vamos lá ver. Depois de os deixar no táxi, caminhámos até casa e fomos dormir.
Claro que com esta farra toda, o meu irmão ficou até mais tarde na cama, e já não deu para ir até Abbey Road como ele queria fazer no domingo de manhã. Como já não tínhamos muito tempo até ele apanhar o comboio para o aeroporto, eu tive a ideia de caminhar até Tower Bridge e panhar o bus 15 até Regent Street que é uma viagem bem bonita. Ele gostou. Antes de voltar, ainda deu para ver a loja dos M&M's e tirar uma foto na M&M's road, já que não deu para ir à verdadeira :)
Para finalizar, e a isto é que eu chamo a verdadeira parte londrina do fim-de-semana, foi o stress para apanhar o comboio até Gatwick. Ora porque o génio do meu irmão se lembra de querer reservar um comboio de cinco pounds até ao aeroporto, daqueles que troca numa estação pelo meio e tal. Uma complicação. Tão complicado que aparentemente são comboios que nem existem. Eu logo lhe disse que o bargain ia dar para o torto. Mania desta juventude pensar que arranjam bons biscátes assim... Às vezes mais vale pagar mais um pouco mas ter a segurança que tudo corre nos conformes. Ora o comboio até existia, mas nunca na vida ira chegar a tempo ao aeroporto já que um moço do staff nos disse que era um dos mais lentos e nos aconselhou a ir falar com o ticket officer. [Devo relembrar que já não tínhamos tempo para estas coisas que o meu irmão tinha o vôo para Lisboa dentro de uma hora]. Correria para aqui, correria para ali, lá nos aconselharam que seria melhor comprar outra viagem e não voltar a comprar este tipo de bilhetes online. Eu pedi a viagem mais rápida até Gatwick fosse qual fosse o preço, e tchanan! um comboio de meia hora, que chagava lá com tempo de sobra a dez pounds! Meu Deus, que fortuna!! Ui, um bom motivo para comprar uma viagem fantasma na Internet dois meses antes... Pure. Evil. Sarcasm. Enfim, lá dei na cabeça do meu irmão, antes de outra correria para o deixar na plataforma correcta, já que London Bridge está com obras e está uma confusão. Regressei a casa morta de cansaço e sono, mas não iria conseguir adormecer até ter a certeza que o meu irmão tinha embarcado e pus-me a ver Games of Thrones. Ele lá me mandou mensagem a dizer que ia entrar para o avião. Vi mais um pouco da série e adormeci. Eram umas oito da noite e só acordei às sete da manhã de segunda-feira. Regresso ao trabalho e quotidiano. Ufa.

5 comentários:

Butterfly disse...

Que saudades de Londres! Deu para matar saudades com este teu post.

L. disse...

Gostei do relato :)
Há quanto tempo estás em londres? Eu adoro cá estar, mas admito que me faz falta a parte de não se fazer amigos por cá...

Jolly disse...

Olá L. :) eu ando por cá há um ano e oito meses. Entendo-te tão bem, a parte de fazer amizades aqui é complicada, conhece-se muita gente, mas criam-se poucas ligações e a maioria das vezes essas pessoas vão embora... Tu já estás cá há muito tempo?

L. disse...

Jolly, só agora pude ver a tua resposta. Eu estou cá há pouco tempo, quase 6 meses (que passaram a voar). Eu tenho cá alguns amigos Portugueses, mas uns já tem a vida deles feita e acabo por passar mais de 90% do meu tempo sozinha... Por enquanto as coisas não estão a correr da melhor maneira, só tive emprego por 2 meses, e até agora já tive algumas entrevistas, mas nenhuma resposta positiva....daqui a uns tempos terei que encarar um regresso se a vida não se alterar.

Jolly disse...

Espero que consigas arranjar um trabalho depressa! Com persistência e paciência hás-de conseguir. Desejo-te muita sorte!!