quarta-feira, 10 de abril de 2013

The (not so many) perks of being a nice person

Não sei porque raio, enquanto falava hoje com uma colega de trabalho sobre trabalhar em companhias aéreas, a nossa conversa foi parar à hostilidade que muitas vezes se testemunha ao andar pelas ruas de Londres. Ou será hostilidade uma palavra muito forte? Cada um que decida. Para mim, tendo em conta os comportamentos WTF que vejo, a palavra é hostilidade. Ela, australiana, também criada numa cidade pequena em que toda a gente acena e diz olá a toda a gente, sente-se como um peixe fora de água na Big Smoke. Falávamos de como as pessoas mais rudes são maioritariamente as originárias de Londres... mas não se pode generalizar! E de como essas pessoas estão sempre à procura de um motivo para arranjar discussão, para dar um empurrão, para mostrar ar de superioridade, para arrancar logo em quinta com um insulto.
São coisas da grande cidade. Há muita gente assim, mas também há muita gente amável. Sai-se por aí e vê-se muita arrogância, ar superior... mas também se vê gente super educada, bem-disposta, respeitadores do espaço dos outros, e sempre prontos a sorrir! Não é preciso estar muito tempo em Londres para perceber a diferença entre um agudo "excuse me!" ou um sereno "sorry dear", e que essa diferença está entre ser um valente wanker/bitch ou um indivíduo com dignidade.
O que também é curioso é que quando se chega a esta cidade todos achamos os bus drivers umas bestas, mas passado uns tempos, lhes entendemos o mau humor, com tudo o que têm de aguentar. É uma das razões porque eu prefiro mil vezes o metro ao autocarro. Conheço muitas pessoas que optam pelos autocarros porque é a opção mais barata nos transportes públicos, mas eu simplesmente não aguento. Só ando se for em lazer, não para usar no dia-a-dia, de casa para o trabalho, pois eis que acontece sempre alguma. Lá entra um com a mania que é dono do mundo, a querer viajar sem pagar, e lá começa a discussão, e lá tem que ficar o bus parado por tempo incerto enquanto se resolvem as coisas, e a verdade é que como na maioria das vezes, esta gente não tem senso nenhum na cabeça, a brincadeira só termina quando chega a polícia.
E disto vê-se em todos os locais públicos (e até no trabalho) e deve ser por isso que muitas vezes ficamos tão surpreendidos quando vemos alguém fazer algo simpático por nós. No supermercado, recebo sempre olhares de surpresa das pessoas que deixo passar à minha frente quando tenho só um ou dois artigos. Ainda o outro dia no metro, quando me levantei para dar lugar a uma idosa, "really??" exclamou ela a sorrir. E eu penso que devo ter a mesma estupefacção quando os outros fazem o mesmo por mim. E custa alguma coisa? Não, não custa nada. Perder mais uns segundos, mais um minuto, mexer um braço ou uma perna para fazer a vida mais fácil ao outro, vai fazer assim tanta diferença na nossa própria existência? Até faz, uma diferença boa.
É tão bom ouvir um "thank you", ver um sorriso, e muitas vezes basta só: desviar-nos da frente; agarrar o que deixaram cair no chão; segurar a porta; dar o lugar; manter o elevador aberto... Pequenas coisas. Claro que também há aqueles que nem agradecem quando fazemos isto, e ai jesus, esses são a pior raça, bem que dá vontade de gritar um "you're fucking welcome!" mas é a paga de fazer o bem sem olhar a quem.
E eu não me canso de dizer que não entendo como as pessoas podem ser rudes, será que eles não se apercebem que há todo um mundo em redor, com gente de carne e osso e alma, e que a gentileza pode mudar muita coisa e abrir (literalmente) portas?
Quando eu não estou num dia bom e alguém me sorri, isso muda completamente a minha disposição, e eu penso que se isto acontece comigo, também deve acontecer com os outros. Por isso que tento ser gentil com toda a gente. É que numa cidade de tantos solitários como Londres, um sorriso ou um acto amável de um estranho pode fazer toda a diferença no final de um dia. Tal como uma atitude malcriada pode ser a última machadada num dia de merd@.
Eu admito, os estranhos têm influência na minha vida. Sou um "teddy bear". Se alguém é mal educado, mesmo que eu não conheça a pessoa de lado nenhum e não a vá voltar a ver, isso mexe comigo. Se um estranho é simpático para mim, isso deixa-me feliz e aos pulinhos como um cão. É assim que eu sou, o que se há-de fazer. Mas, e se os outros são assim também? Então vou continuar a distribuir sorrisos. Vou continuar a contribuir para dias bons! Vou continuar a mudar vidas, ah pois!

4 comentários:

Silverboy disse...

Casa comigo!

Sue disse...

Por acaso não partilho da opinião pelos Londrinos, gostei tanto deles que quero muito ir morar para Londres ;)

Em relação ao blog, nota-se muito a influência Inglesa... ainda andei aqui à procura de algum comentário da rainha, talvez um convite para o chá das 5 ;)

Gostei :)

Jolly disse...

Obrigada Sue :)
De facto, quanto aos londrinos, podemos dizer que há de tudo como em todo o lado, mas sim há muita gente interessante e simpática, uns verdadeiros folks! Acho que a mistura de culturas também permite isso.
A rainha não vem, mas estamos cá nós para o chá das 5, vem cá passando, eu faço os scones ;D

Sue disse...

Tu não me faças promessas de scones que depois não vás cumprir... ok?! :P