terça-feira, 30 de abril de 2013

De Londres com amor


Duas cartas escritas e endereçadas. Uma prenda de anos atrasada e uma prenda do Dia da Mãe antecipada. Prontas a mandar para Portugal.
Adoro escrever e receber cartas. Qualquer dia arranjo um daqueles amigos de trocar correspondência. Digo eu "qualquer dia"... Há uns tempos atrás devo ter dito exactamente a mesma coisa. Ai...


sábado, 27 de abril de 2013

Life is a rollercoaster, just gotta ride it...






Bem dizia o Ronan Keating.

Dia dos cravos foi dia de Thorpe Park para mim. Lá consegui enfrentar o meu medo destes brinquedos gigantes, e fui em quase todas as atracções. Só não tive coragem de ir na rollecoaster da terceira foto, pela altura e pela velocidade, mas arrependi-me depois... Chicken. Quero lá voltar uma segunda vez este verão se possível e aí não vou falhar nenhuma. Que esta vida é uma chatice e se for para morrer, morremos, mas com estilo! Por falar nisso, duas das rides tiveram problemas técnicos connosco lá. Numa chamada Nemesis Inferno ficámos lá pendurados durante um bocado (vá lá que foi quase no final e não foi numa das partes altas ou das que viramos a cabeça p'ra baixo), e só vemos dois rapazes a trepar por ali, e um com uma chave-de-fendas na mão, com uma cara de quem não sabia muito bem o que estava a fazer. O engraçado é que estávamos todos relaxados e a rir da situação. Devia ser por estarmos a passar um dia tão bom, que nada o iria facilmente estragar. Pois porque se me ocorresse o mesmo cenário no metro em Londres ao ir para o trabalho, bem que me ia dar uma coisinha má.
Na outra, o Colossus, antes de irmos para as cadeiras, disseram que havia alguns problemas e teriam que fazer um teste, uma volta sem ninguém. Uma das raparigas que foi connosco (e que não teve coragem de andar em nada pesado) já estava em pânico, e ficou pior, "vamos embora, vocês ainda querem ir?!?!". Nós em vez de sermos amiguinhos e desvalorizar a coisa, começámos a dizer que aquilo era uma volta fantasma para as pessoas que ali tinham morrido. Claro que ela não achou piada nenhuma e acabou por sair da fila e dar a sua walk of shame, com toda a gente a rir-se e a dizer "uuuuh are you scared??". Hilariante.
A segunda walk of shame do dia, já que me deixou a mim sozinha em outra (aquela que basicamente é um pêndulo que vai para a frente e para trás), quando já estávamos sentadas, começa a ficar histérica e paranóica, de tal forma que já só me apetecia dar-lhe duas chapadas, e lá chama a rapariga para lhe tirar o cinto e a deixar sair, com toda a gente a rir-se dela. Ahhh! Foi como ser criança outra vez!
Mas quanto a mim, portei-me bem. Até andei no Saw (segunda foto), que os meus amigos (que fazem aquele género todo mete-nojo pff isto não é nada) consideraram a mais thrilling! Ha!
E pela primeira vez o São Pedro esteve de acordo com os meus planos. A temperatura chegou aos 23ºC esse dia! O que foi óptimo, porque o parque tem muitas atracções com água e deu para aproveitar bem. Houve dois slides em que ficámos completamente encharcados e secámos num instante debaixo do sol. A mim já me parecia ser Julho ou Agosto. À nossa volta, toda a gente de calções e t-shirt (ou sem t-shirt), de gelado ou refresco na mão. Enfim, foi uma alegria!
De vez em quando, todos devíamos tirar um dia para ser crianças outra vez. Um destes sábados vou-me levantar às sete da manhã, ver desenhos animados e comer estrelitas. Só porque sim.

Espaço patrocinado pelo blog...e pela Tetley.


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Coisas que fazem o meu dia... ou o admirável mundo da Internet

Alguém se dar ao trabalho de fazer este gif entitulado "Robert Downey Jr. makes a great cat". A sério, Internet, eu amo-te.




quarta-feira, 24 de abril de 2013

Um pleasure que nem é guilty

Coff coff... Gosto tanto de ver os colossais espanhóis a perder à grande..., mesmo que seja contra equipas alemãs, com golos discutíveis ou não.

Coff coff

Tenho um bocado de pena dos tugas mas ninguém os mandou ir jogar para Espanha.


terça-feira, 23 de abril de 2013

Então Ricky?

Que se passou sweet pea?
Antes eras aquele gajo laid back, com uns quilos a mais, e sempre com um copo de cerveja na mão, e fazias a festa! Eras tão fofo, e agora estás tão indie.
Isto a propósito que a T. ao passar na Regent Street viu uma fila enorme para entrar na Burberry, e ao que parece estavam lá a actuar os Kaiser Chiefs.
Depois a T. mandou-e esta imagem via facebook.


Eu odeio essa raça daqueles velhas/novas chatas que estão sempre a comentar o peso dos outros, mas é que foi o que me saltou logo à vista.
Depois vi esta!

E não sei se é por eu andar distraída/ocupada, ou porque o meu fling com o Ricky Wilson já ser coisa do passado, eu não sabia que este era o estado actual do rapaz! Está mais magro que um manequim da semana de moda de Paris, pergunto-me se também anda só a comer lenços de papel como as outras.
A verdade é que já é bem antiga a obcessão de uma certa faixa da cena rock/indie com a magreza e os skinny jeans. Inspirados pelos viciados em heroína dos anos 60/70, há essa norma silenciosa, que ser mais magro, é consequentemente ser mais roqueiro.
Mas eu, quando penso nas bandas que gosto, digamos que à parte dos Strokes, quanto menos quilos, menos qualidade...

This is the modern waaaaay, bem que canta ele.





segunda-feira, 22 de abril de 2013

"The grateful insomniac"



Como poderemos considerar as insónias de todo como algo negativo? Tantas obras de arte nascem em noites que se passam de olho aberto. E tantas outras lemos/vemos durante essas horas da madrugada. Tantas ideias no ocorrem. Tantos planos se fazem. Por vezes até se limpa a casa e fazem doces. E o que seria da "Ideia Casa" e restantes televendas sem as insónias? E quem iria ver as novelas repetidas de há dez anos atrás..?

No outro dia li agures que "alguns estudos" concluíram que as pessoas que dormem só entre 5-7 horas por dia, vivem mais que aquelas que dormem mais horas. Really?? Pois, estão mais tempo acordadas e a viver a vida com certeza. Mas porque não explicam porquê ou que tipo de amostra usaram? Hmm? Talvez aqueles que dormem mais são individuos com depressão que não conseguem sair da cama até ao dia em que dão um tiro na cabeça, acabando por viver menos que os outros, ora pois...
Deixando para lá os bitáites.  Como andei a pesquisar sobre isto, li algumas coisas deveras interessantes que ajudam a desvalorizar o tema, tais quais assim por alto:

- as insónias não nos enfraquecem o metabolismo/organismo (pelo menos não a curto-prazo);
- ao contrário do que dizem os médicos (e as mães), dormir oito horas não é uma necessidade diária;
- usar o computador, ver TV e ler livros na cama pode causar distúrbio de sono (parece que o cérebro começa a associar o leito a actividades que requeram estar acordado);
- também não é bom usar computador ou ter TV no quarto devido ao mesmo motivo acima mencionado;
- deve-se fazer um pequeno lanche nas três horas antes de dormir;
- alimentos com lactose despertam o sono e devem se possível fazer parte deste "lanche" (um copo de leite, pão com queijo, iogurte natural...);
- não conseguimos dormir porque a mente não pára, e a verdade é que a insónia está literalmente nas nossas cabeças. Está associada a uma redução de níveis do neurotransmissor GABA que tem como tarefa ajudar a abrandar a actividade das células nervosas (basicamente este GABA é um Vítor Gaspar a discursar e as embalar as células e nós precisamos dele);
- e para terminar, são várias as personalidades que tiveram vidas muito produtivas apesar de sofrerem de insónia crónica, como é o caso de Benjamin Franklin, Winston Churchill e Isaac Newton.

Basicamente, quanto mais uma pessoa se preocupa por não dormir, menos chance tem de efectivamente dormir. E não dormir, por vezes também é bom. Tudo faz parte.

E escrever isto deu-me sono.

[edit: "menos chance tem (....)", credo, que estou mesmo a começar a falar à emigrante]

The view from London Eye



Aqui a simplicidade de pessoa sou eu haha. Este é oficialmente um blog com cara


Estão a ver aquele prédio grande com corninhos? Eu moro nessa redondeza











Weekend report

Sexta-feira acabei por não fazer nada, o que não é grave, que o tempo também não estava chamativo lá fora e o que eu precisava mesmo era dormir. E finalmente dormi que nem uma pedra. Acabei por ficar a dormir até às 12h30 e mais teria ficado se não tivesse sido acordada por uma amiga a ligar-me. "Did I wake you up?" pergunta-me ela. "You sound so tired and drunk!". Logo lhe disse que tinha engolido meia garrafa de vinho tinto na noite anterior. Enfim. Ficámos em stand by quanto ao programa para esse dia. Ela ia passar a tarde no médico e eu logo lhe disse que não se afligisse porque se ficasse por casa também ficava muito bem. E acabei por ficar por aqui, pachorrenta. Tratei da laundry, fiz brigadeiros para levar aos meus ex-colegas de trabalho (promessa antiga) e cozinhei uma refeição decente. Adiantei o Stephen King e à noite apeteceu-me ver algo que me adocicasse a alma. Lembrei-me então de ir procurar online o Pride and Prejudice ou Sense and Sensibility, e o que me aparecesse primeiro com melhor qualidade servia. Por entre a procura, deparei-me com algo a que nunca conheci a existência. Mas deixo já a sugestão a leitoras que gostem das estórias cavalheirescas de Jane Austen.
"Lost in Austen", uma mini-série da ITV de 2008, sobre uma londrina dos nossos tempos, cansada da sua rotina (e obcecada com o Mr.Darcy) que aproveita qualquer momento do seu dia para fugir por entre as páginas do Pride and Prejudice. [Vamos ignorar o facto que ela possui um apartamento em Hammersmith e namorado e bom emprego e sentir muita pena dela. Buuuuh.] Agora sim. A sua vida torna-se tão dependente disto que ela acaba mesmo por entrar para dentro da estória. Basicamente o que acontece é que a Elizabeth Bennet lhe aparece na casa-de-banho, e elas fazem uma troca, como naquele filme da Kate Winslet e da Cameron Diaz. Sim, é isto. How nice. Nem será preciso dizer (ALERTA SPOILER) que no final é esta londrina moderna que fica nos braços do Mr.Darcy, que é super perdido de amores por ela.
Se isto não vos convenceu, tenho outro motivo que já é suficiente. O Mr.Bingley que escolheram para esta série. How odd. Lembro-me de achar o daquele filme com a Keira Knightley extremamente unfappable*. O que até tem lógica, já que não é suposto ele (após três minutos a tentar achar uma palavra em português desisto) upstage o Mr.Darcy.


That's not what you should apologize for. Humpf.

E pronto, são quatro episódios que eu vi de uma rajada, e é giro.

No sábado também não me levantei muito cedo já que ia ter com a minha amiga, que saía do trabalho à hora de almoço. Começámos a nossa tarde na farmácia, porque uma colega dela se estava a queixar de dor no pé, que ela pensou ser muscular, e assim sendo comprou uma daquelas pomadas de alívio rápido. Quando fomos dar a pomada à moça é que ela se lembra de dizer que afinal o que tinha era uma unha encravada. Lá voltámos como boas samaritanas à farmácia para trocar o produto, ao que a farmacêutica se riu de nós quando explicámos a situação. I beg your pardon? Pois, not really professional. Mas eu não lhe levo a mal, que no lugar dela teria feito o mesmo ou pior. Eu sei o que é aturar clientes atónitos.
Despachada a boa acção do dia, e com o sol que brilhava em Londres, demos uma caminhada pelo centro até chegar a Convent Garden, e entrámos no pub do costume. Como estava uma seca, só com famílias e turistas a almoçar, decidimos ir comprar umas cidras no supermercado e ir beber no Green Park, deitadas ao sol. Já com duas cidras em cima, começámos como sempre a ter conversas profundas sobre a vida. Quem sou eu? O que estou a fazer aqui? Para onde vou? Qual a razão porque vim ao mundo? Quem me entende? Porque é que o Benfica vai á frente? Enfim, sempre o mesmo baile, né? :)
A seguir demos mais uma caminhada, tomámos um café para acordar o cérebro e fomos para a London Eye! Estou há um ano e sete meses a viver em Londres e nunca tinha andado neste que é uns dos principais pontos de atracção turística. Vontade não me faltava mas nunca calhou. A volta dura cerca de meia hora, mas uma pessoa perde-se com toda aquela vista, e mais parecem só dois minutos!
Já deixo algumas fotos!
Hoje foi dia de trabalho, mais ainda deu para ir jogar uma partidinha de bowling com os ex-colegas. Eu nunca tinha jogado, e não me saí nada mal. Sorte de principiante. Eles disseram que eu era como o Homer Simpson. Perguntei se era por gostar de cerveja ou por ser gulosa, mas aparentemente é pelo talento natural para o bowling. Aww.

A melhor parte foi escolher os nomes!


* contrário de fappable, palavra usada no popular blog 9gag para descrever aquilo que é susceptível de se masturbar sobre. E termo que eu e a T. usamos muito no dia-a-dia. Porque somos parvas.

domingo, 21 de abril de 2013

Bom Dia!


Parece que a Primavera chegou finalmente a estas terras! Hoje é o segundo dia em que acordo com o sol a entrar de manso pela janela e a bater-me em cima. Fantástico! Neste momento nem consigo ver bem o que escrevo por causa da luz a bater no ecrã do portátil. São estas pequenas coisas que, quando não temos falta,  não reparamos ou damos a devida importância, e depois descobrimos o quanto nos fazem bem ao espírito. E acompanhando isso, vem mais vontade de sair, planear programas e fazer mil coisas.
Ontem enquanto caminhava para casa, dei comigo a pensar, já tinha saudades de ver Londres desta forma. De uma forma mais luminosa. Os meus olhos ficam mais curiosos, e o meu lado de exploradora vem ao de cima. Esta cidade é sempre mágica mas torna-se apaixonante quando o cheiro a barbecue invade a vizinhança, e o relvado dos parques se enche de amigos, namorados, cidra e gargalhadas. Trafalgar Square sempre com alguma coisa a acontecer, Convent Garden apinhado... Sacos e sacos de bebidas a sair dos Tescos e off-license, carregados por pessoas felizes de calções e t-shirt.




Put a wetsuit on, come on, come on
Grow your hair out long, come on, come
Put a t-shirt on
Do me wrong, do me wrong, do me wrong

Does holy water make you pure?
Submerged your vision's just obscured

 
You're a lot like me
In up to our knees
In over your chest is way too deep
:)


 Vamos lá recolher um bocadinho de vitamina A.
Bom Domingo!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

F*ck yeah!

A minha boa disposição voltou!
Não disse aqui mas eu tenho andado a dormir muito mal, ou melhor, a não dormir sequer por vezes. E nada de stressante ou estimulandte se passa. Simplesmente insónias, essas chatas. Insónia Maria, que me fazes ficar acordada tooooda a noite!
Mesmo só tendo dormido quatro horas, dormi profundamente esse pouquinho, por isso hoje já me levantei mais fresca. Pergunto-me se terá sido dos dois shots de whisky que embarquei antes de me deitar... No trabalho estive muito mais enérgica e focused.  Ontem, uma colega queria empurrar-me um comprimido (desses que nos põem em coma por umas boas horas) pela garganta abaixo, mas eu cá não me meto nisso, que eu gosto de remédios mais natura como o... álcool, hahaha. Hoje está a ser um copinho de vinho tinto, e espero sinceramente aterrar, será esta a noite em que vou dormir como sempre dormi? Beeeeeem e na paz do Senhor! Logo voltarei para falar disto das insónias, que tem muito que se lhe diga. Por enquanto decidi não dar importância. São fases e logo passará. O meu sono voltará a ser o que era nos velhos tempos. Tudo bem que eu já não vou para nova, mas se há coisa em que sempre fui boa foi em dormir. Ainda tenho muito tempo para essas coisas de me levantar às cinco da manhã para aspirar a casa, passear os cães e fazer panquecas.
Agora vou-me mas é beber um tintinho e ver um filminho daqueles antiguinhos.




terça-feira, 16 de abril de 2013

...



Era o ponto do declínio.
O corpo a pedir para se desintegrar. A mente que ali estava, ardia, pesava. A alma flutuou naquele espaço de tempo. Quanto tempo passou?  Nem um segundo. Forçou-se a si mesmo contra o chão frio enquanto sentia, e sentia ainda mais. Olhos fechados. O lábios formavam linhas desiguais. As mãos descansavam. E nada podia mais fazer senão sentir. Desejou não ter sensações mas nunca sentira tanto como naquele momento. A contradição visita-nos sempre desta forma.
Respirava calmamente enquanto a frustração lhe ia subindo à garganta. Levantou a cabeça e olhou o caderno pousado na mesa de cedro. Quantas vezes abrira aquele caderno, quantas vezes? Quantas vezes lera aquela frase? A angústia acumulou-se ainda mais enquanto voltou a fechar os olhos. A tentação de se levantar e abrir de novo aquele caderno batia na sua cabeça, ondulava-se-lhe no sangue e palpitava-lhe nos pés.
Pensou nas palavras que lhe tinham dito nas últimas horas, tentou desenhar os olhares na escuridão, delineou as faces. Não se atreveu a pensar nas horas que se seguiriam. O seu mundo encerrado numa bolha que dependia daquelas páginas para rebentar. Abriu os olhos e fitou de novo a mancha cor casca de ovo, que estava no tecto. Por um momento a sua mente esvaziou-se, enquanto traçava as formas e sobras daquele ponto. Ponto. Tremeu. Conseguia ver a forma de um hexágono, os ângulos quase perfeitos, até naquele acaso. Os olhos giraram em círculo enquanto ordenou cuidadosamente todos os pontos em que aquele absurdo geométrico terminava. Nem quando a cor desvanecia perdia a sua forma. Abriu a boca e soltou um ruído enquanto a memória afiada lhe despertou o cérebro. O pensamento tornou a processar em ritmo maciço. Pensou em quantas frases escrevera sem colocar um ponto final e a sua mente voltou de novo àquele caderno. Porque não? Porque não teria mudado tudo no entretanto? Apenas bastava espreitar de novo.  Queria fazê-lo, mesmo sabendo que se tudo fora igual, a sensação que não podia chamar de dor voltaria ainda mais forte. Levantou o tronco lentamente até ficar sentado de pernas esticadas, levou as mãos à face e afastou prontamente. A sua pele escaldava. Estava já num estado febril. Tomou mais uma decisão. Afinal aquilo teria que acabar ou não. Teria que terminar ou continuar e era assim que as próximas horas se lhe apresentavam quando ganhou coragem de as projectar no horizonte. Chegou os joelhos ao peito e voltou a fechar os olhos. Mais uma vez, não conseguiria dizer quanto tempo passou antes de se levantar e dirigir à pequena mesa. Pegou no caderno e antes de o abrir respirou fundo. Pensou em todas aquelas páginas. Não existiriam se não as folheasse. Mas existiam, assim como toda aquela história existiu. Como poderia um dia explicar todas as linhas que escrevera. Ainda estavam frescas na sua memória mas não seria capaz de as expôr de novo naquelas páginas. Elas teriam de lá estar. E teriam um fim, com as suas vírgulas e os seus pontos finais. Respirou de novo, fechou os olhos e abriu o caderno.
Quando tomou consciência do seu acto soube que não poderia voltar atrás. Abriu os olhos e viu... duas páginas brancas. Espreitou a próxima página, branco. Folheou lentamente, nenhuma tinta alguma vez existira ali. Se palavras ali estavam, deveriam ter sido trancadas num outro universo de onde não voltariam mais. Folheou mais rápido, o vazio ia-se apresentando em curta-metragem. Parou. Reconheceu aquela que seria a página cinquenta e quatro. Em branco. Recomeçou e as páginas correram sem abrandar a nenhum instante, até chegar à última página. E ali estava. De novo. Aquela maldita frase. A única que nunca escrevera. E nada mais aqueles minutos lhe haviam acrescentado.


"Um fim sem recomeço. "

Jolly, 2013

Humor de..?

Sempre achei que a expressão "humor de cão" não tem fundamento nenhum . Logo o cão, que deve ser o animal mais bem-disposto deste planeta. Enfim.
Isto a propósito daqueles dias em que nos sentimos uns zombies, em estado vegetativo e completamente alienados do mundo em redor, mesmo que o sol brilhe, como hoje.
Partindo das proposições: 1- não estou com a TPM; 2- não me aconteceu nada de mal; 3- não estou doente; 4- está sol e calorzinho. Não consigo deduzir daqui nada.
Eu hoje acordei mal-humorada, cheguei ao trabalho mal-humorada pela primeira vez (no meu actual emprego!), tomei um segundo pequeno-almoço para animar o espírito e continuei mal-humorada, andei na palhaçada com colegas, mas basicamente por estar mal-humorada. Hoje tudo me metia confusão, até aquelas coisas que acontecem todos os dias e com as quais eu sou "always cool about it".
Recebi a visita da minha retail manager que é uma fofa (para se despedir antes de uma viagem de ano e meio à volta do mundo). Abraçámo-nos umas quantas vezes e ela disse-me coisas fantásticas, e nem isso alterou o meu estado de espírito, o que não é normal. Claro que estou muito contente por ver o meu trabalho e dedicação reconhecidos. Mas continuo apática. Amanhã darei os meus pulinhos. Saí do trabalho, e o sol chamava para um passeio ou uma ida ao parque, e eu fui logo direitinha para o metro, peguei no "Evening Standard" e passei os olhos pela capa. Atentados à bomba na maratona de Boston. Merd@. Este é um daqueles dias.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Sr.F #2

Sou só eu a achar que o Facebook finalmente acertou com a coisa?
Basicamente, o modelo é tal e qual como o de um blog. Génios. Mas muito melhor assim. Mais organizado, simples, prático, informativo, apelativo à vista e propício ao "stalkamento profissional". :P
Também gosto do nome do utilizador a letras brancas e gordas. Só porque no meu dá bem com o cartoon da cover photo, claro está.
Bom, sendo assim, se calhar... vou continuar a ter Facebook. 'Té ver.

Para quem quiser saber porquê #2, aqui.

My London of everyday























domingo, 14 de abril de 2013

Ode ao Café

Então que hoje é Dia Internacional do Café, e a mim ia-me passando ao lado. Para mim dia do café, é todos os dias. Quem vem a este blog deve pensar que eu tenho uma tara qualquer por chá. Na verdade, só descobri as maravilhas do chá quando andava na universidade, devia ter uns 20 anos. Até então, odiava. A minha mãe andava-me sempre a chatear a paciência para beber chá. Ela oleccionava dezenas de ervas lá em casa. A nossa despensa eram frascos de mokambo, nesquik e afins com ervas lá dentro. Ele era fiolho, ele era cidreira, ele era dente de leão, ele era cavalinha, ele era carqueja... até pézinhos de cereja por lá andavam, pois parece que são muito bons p'ró "xixi". Pois bem, ela lá me esturrava a paciência e dizia que eu era uma esquisita e que havia chás que até sabiam bem, mas eu insistia sempre "isto sabe-me tudo a ervas rançosas onde mijam os cães". Um dia até rematou uma famosa, com que os meus irmãos gozam até hoje cada vez que vou para os copos, "pois tu não gostas de chá, gostas mais de cerveja!!", dizia. E com razão. Mas hoje em dia, foi ela que se cansou do chá, e eu é que ando sempre a pôr a água ao lume! E desde que vim para Londres, acho que ainda bebo mais chá, mas não acho que seja por influência inglesa. É mesmo porque está frio, e sabe bem um chá a escaldar. Mas depois há o english breakfast tea, que é tão bom com leite. Estes ingleses sabem o que fazem. E eu que antes de vir para aqui e experimentar sempre achei a ideia de beber chá com leite repugnante. Os ingleses de gema não são muito de café e bebem isto ao pequeno-almoço. Funciona como um substituto para o café, mas fraquinho...
Pois é por essa maravilha que vos escrevo, café!! Como dizia eu, se descobri o chá já com vinte anos neste lombo, o café esteve lá sempre. Lembro-me de ser cachopa e naquelas almoçaradas de família, que é quando nos são permitidas estas coisas, a minha mãe me deixar beber um espresso, e os meus tios e primos achavam inacreditável uma criança poder gostar de coisa tão azeda. Uma vez uma prima disse-me que estava a tentar "ser crescida", mas não, a tentar ser crescida estava eu quando punha o creme veet da minha mãe nas pernas (mal sabia eu que é das coisas com menos piada de ser mulher), ou quando punha rimmel nas pestanas e me esborratava toda porque achava que aquilo se pintava por cima, ou quando queria ir de carteira de ombro para a escola. Eu bebia aquilo porque gostava, sabia-me bem. E assim continuei através dos anos, e o que até então era só um inocente mokambo com leite ao pequeno-almoço (sim eu sei que isto é só 20% café), ou um galão clarinho no café da vizinha, rapidamente se tornou, por voltas do secundário, no café de máquina depois do almoço, na bica no café junto da escola, e fiquei plenamente viciada. A adulta que sou hoje não consegue encarar o mundo sem beber café. É das primeiras coisas que faço de manhã, e muitas vezes a primeiríssima. Até me volto a enfiar debaixo dos lençóis com a minha canequinha quando tenho tempo, enquanto assimilo que mais um dia está a começar. Não consigo sair de casa sem beber café, mesmo que o motivo de sair de casa envolva ir tomar um café. Estranho? Não. Sem cafeína, eu não respondo. É mau, eu sei, mas o meu corpo funciona melhor (em todas as suas funções) com esta droga. Até podia ser pior. Por exemplo, só bebo de manhã e depois de almoço. Não bebo café depois das 17h ou à noite. De maneira nenhuma, que já sei que vou passar a noite de olho aberto. Lembro-me que bebi uma litrada de café preto na noite da véspera do exame nacional de Biologia para ficar a estudar até mais tarde, e nunca mais me lembrei de fazer outra igual. O meu corpo e cérebro estavam exaustos e não conseguia estudar, mas quando me deitei para descansar, não conseguia parar quieta, até palpitações e alucinações tive. Valha-se-me. Mas bom, tudo faz bem, quando regrado. Esse é o meu princípio. E se não faz bem ao corpo, faz bem ao coração. A este coração que ama aquele sabor doce-amargo. Rebuçados de café, sobremesas que levem café, éclairs de café. Babo-me. E gosto de café preto ou branco, com natas ou sem natas, gosto de não pôr açúcar e de acompanhar com um doce ou bolachas. Gosto dele com mel. Ou com chocolate. Ou com canela. Ou com aqueles xaropes diabéticos à Starbucks, caramelo, baunilha... Ou até com um cheirinho! Enfim, esta é para mim a droga suprema. Pois talvez mesmo antes do álcool, que graças ao Senhor ainda consigo passar uns dias sem ingerir, mas da maneira que isto vai, não sei não xD
Se em Portugal, bebia a bica, o galão escurinho, e fazia os meus capuccinos caseiros, por cá com todas as cadeias de café que existem e todas as maneiras de fazer café docinho e fofo e rócócó que inventaram para as bocas mais "modernas", vou bebendo de tudo. Espresso (que sabe sempre a pouco quando nós portugueses estamos mal/bem habituados com os nossos Nicola, Delta, Brasileira), latte e todas as suas versões, flat white (que basicamente é um latte mais pequeno), capuccino, mocha, mochaccino, e o americano (quando quero um café mais fraquito e sem leite fervido). E em casa, Nescafé, Kenco, Mellow Birds, Tesco Gold (que é marca branca mas é bem bom), o que calhar quando vou às compras. Mas vá, já comprei café de máquina, e há uns tempos que ando para fazer, mas tem que ser depois de almoço, que é quando não estou em casa. Nos dias off, só costumo beber de manhã. Caraças. Tenho a certeza que quando o meu irmão me visitar o vamos beber de certeza que ele é outro viciado.
Todas as pessoas que me rodeiam têm mais ou menos o mesmo género de convivência com o café, por isso que nunca pensei vir a conhecer pessoas que não gostam/não o bebem de forma alguma, mas elas existem. Uma amiga que fiz aqui em Londres até fazia sons de vómito quando me via a beber café e dizia que não entendia como alguém podia gostar. E eu não entendo como estas pessoas sobrevivem, como é que não lhes dá uma coisinha má, como conseguem ir trabalhar e fazer coisas, e não caem para o lado. A sério que não entendo. Se calhar são estes indivíduos os grandes impulsionadores do mercado das bebidas energéticas. Nhac.
Não me vou alongar mais (isto é da cafeína). Sem saber, acho que fiz jus ao dia. Bebi o Nescafé de manhã, um double espresso depois de almoço e um iced latte à tarde :)















O café que se bebe por lá, e o que se vai bebendo por cá!