segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Coisas (muito) fixes que tenho visto e as assim-assim

Com a chegada do Outono e esta mudança da hora com vista à tal poupança de energia (como assim?), os dias ficam mais curtos que os calções da cantora Anitta. A noite chega tão cedo e é tão escura que só me apetece ser uma couch potato, enroscadinha numa manta a ver o mundo pela televisão. E isto está só a começar. Como diria uma amiga minha, "no Inverno só trabalhamos, dormimos e comemos".
E o lado positivo disto? Há por aí séries muito boas (a sério daquelas mesmo bem feitas que dá para aprender coisas) e filmes fantásticos. E livros espectaculares, mas isso fica separado para um outro post.

As séries:

Mad Men

Não tive a oportunidade de acompanhar a série (que tem sete temporadas) quando era transmitida na RTP2 mas era uma que queria ver há muito. Comecei a ver numa altura em que me sentia "orfã de séries" e terminei agora em Outubro. É bastante popular e admirada por muitos, e com razão. Passa-se durante toda a década de 60 num escritório de publicidade. Aborda muitas questões: Guerra, discriminação de género, feminismo, homossexualidade, racismo, nepotismo, assim como vários acntecimentos marcantes da História dos Estados Unidos que aconteceram naquela época. As personagens são muito interessantes. Nenhuma é particularmente boa ou má pessoa, e todas fazem algo, a um certo ponto que nos faz questionar a nossa moral.

The End Of The Fucking World

A premissa da série em si não me entusiasma, até porque já é usada em muitas produções, sobretudo britânicas. É a típica história do rapaz esquisito, tímido e anti-social e da rapariga desbocada e rebelde e as coisas malucas que eles fazem juntos (Submarine, The Perks of Being a Wall Flower, Sex Education, são os que vêm à cabeça assim de repente). Mas a série é boa, o ritmo da narrativa é frenético e os episódios são curtos mas bem preenchidos. É uma daquelas séries que vê assim de rajada, e a segunda temporada estreia este mês. Yey!

Elite T2

Esta série espanhola é um guilty pleasure. Sim, é um bocado "cafona" mas ao mesmo tempo é tão boa. Uma mistura de Gossip Girl com 13 Reasons Why e How to Get Away With Murder. Aquela narrativa do "quem morreu?" seguida do "quem matou?" mais as cenas de flashback e flashforward, que nos mantêm agarrados até ao último episódio com mil teorias sobre vítima e assassino. E mesmo assim conseguem surpreender. Apesar que o final da segunda temporada eu já desconfiava... e virá uma terceira, pois a âncora já foi lançada no último episódio. Quem gostou de La Casa de Papel vai gostar desta com certeza.

Unbelievable

 Esta série sobre violação é para lá de boa. E bastante desconfortável de ver às vezes. Aborda toda a realidade à volta de um crime de violação, a perspectiva da vítima, da família da vítima, da força policial que investiga e até do agressor. Uma das coisas mais importantes da série, no meu ponto de vista, é a história de uma vítima que se depara com o facto das pessoas (amigos e até a polícia) não acreditarem nela. Há uma personagem de um advogado na série que a certa altura diz "a violação é o único crime que as pessoas duvidam, se alguém disser que foi roubado, ninguém acha que essa pessoa está a inventar". E tantas outras coisas importantes que aborda como o tratamento dado às vítimas de violação não ser o melhor nem o mais humano (a sério que ela tem que contar aquelas coisas horríveis tantas vezes? A sério que tem que tem que tirar fotos nua? E estar tanto tempo de pernas abertas durante a recolha de provas?). Ah, e tem a Tony Collette no elenco, como não amar?

Mindhunter

Ó pá, que série boa! Tão boa que nem sei o que dizer. Somente que não entendo como ainda não é uma das séries mais faladas do momento (ou será que é e eu ando desligada?).
Resumidamente, baseia-se em factos reais, passa-se nos anos 70 e é sobre o FBI começar a entrevistar os serial killers na prisão com o objectivo de traçar um perfil psicológico de modo a prevenir esse tipo de crime. Basicamente sinalizar pessoas que possam vir a ser potenciais assassinos em série. É tudo tão bom, desde a cinematografia às personagens. Nem vou dizer mais nada, somente vejam! Fiquei fangirl da série, como dá para perceber.
(Fun fact: deve ser uma das séries com o genérico mais longo, um minuto e meio!)


E os filmes?
Claro que como era de esperar, vi tanta série que quase não vi filmes. Vi o remake do Lion King que não gostei, e não é porque os animais não têm expressões, porque se são realistas isso já era de esperar, mas porque tal como na versão original quando era criança, interessou-me mais o Timon e o Pumba que qualquer outra coisa que ali se passava. É que já nem com a morte do Mufasa chorei, e há tanta coisa ali, que sei lá, parece-me tão despropositado... As coisas era bem diferentes há 25 anos atrás.

Depois vi um típico filme de domingo à tarde chamado The Art Of Racing In The Rain, em português A Vida De Um Campeão que é sobre um piloto de automobilismo e o seu cão. É um filme de cães por isso já é bom, mas não mais do que isso, apesar que claro que como em qualquer filme de animais, acabo o filme a chorar que nem uma desgraçada.

Um que vi e adorei foi o The Peanut Butter Falcon, que é sobre um rapaz com trissomia 21 que foi entregue pela sua família a um lar de idosos, e que sonha fugir dali para se tornar o melhor wrestler do mundo. É tão bom este filme. É sobre amizade e sobre força interior, e mostra-nos como muitas vezes somos formatados pela sociedade a pensar que somos limitados a poder fazer apenas determinadas coisas.

E pronto, por agora é isto, e já é bastante!





segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Fakebook

Já há muito tempo, que penso cá para mim... o Fakebook, hm hm, perdão, o Facebook, assim como qualquer outra rede social, mais não é que uma plataforma como a OLX, mas em vez de as pessoas venderem carros, roupa e mobília, vendem-se a elas próprias. É natural, e é humano, querermos agradar às pessoas, querermos ser interessantes, engraçados, fixes. Ou intrigantes e misteriosos. Seja como for, queremos que os outros queiram comprar um bocadinho de nós. Ninguém quer ser o único pacote de arroz que ficou na prateleira do supermercado durante o apocalipse. Precisamos de validação.
E para tal efeito, criamos uma página sobre nós próprios, com fotografias giras, com acontecimentos de vida fixolas, com os nossos gostos artísticos aprimorados, e os nossos gostos desportivos indiscutíveis.
Todos fazemos isto. Mas há quem vá mais longe e escreva uma opinião, mande um bitaite, faça um charminho quase diariamente. Pessoas que primam por ter uma opinião bem escandalatória (deixem-me ser como o Mia Couto e inventar palavras) sobre os assuntos, que é para ter a certeza que os seus posts não passam despercebidos. Pessoas que não faltam a nenhum seminário "polémica de redes sociais" e se sentam na primeira fila, à espera da sua vez de usar o microfone.
Eu não gosto de discussões/polémicas/batalhas/pelotadas de redes sociais. Já uma ou duas vezes (juro que não mais do que isso!) posso ter caído no ingénuo erro de contribuir com a minha também muito solicitada (só que não) opinião nos comentários de alguma coisa, mas logo percebi essas guerras não são para mim. Primeiro, porque não fui talhada para guerras (aqui estou eu todos os dias a erguer a minha bandeira branca). Segundo, porque é o vale tudo, sendo este tudo, uma mistura de ignorância, egoísmo, sede de protagonismo, falta de noção, e às vezes até erros ortográficos (e isto é verdadeiramente inadmissível!)!
Numa batatada de Facebook (e arraçados), há muita hipocrisia dos dois lados da barricada. É como uma versão mais moderna da Guerra Fria, só que com menos espiões e mais pavões.
Não há o mínimo interesse em tentar entender o outro lado, apelar ao lado educativo das coisas, encontrar um middle ground, pensar no que podemos aprender com este "embate de ideias". Porque uma coisa eu sei, e acho que toda a gente devia saber, se há um "embate de ideias" então é porque algo realmente não está bem e deve ser mudado. Senão as ideias não "embatiam". E o objectivo não devia ser uma ganhar à outra. E muito menos o ganho pessoal. Mas não. O que interessa é chocar, parar o trânsito, pavonear as penas, e opinar sobre a vida e problemas alheios quando não se é capacitado para ver mais além do próprio umbigo.
Outro facto curioso é que as pessoas que mais falam nas redes sociais são as que menos o fazem em público, essas soooooooooonsas! {momento à revista portuguesa}
Façam esta experiência: da próxima vez que alguém que vocês conhecem escreva algo estúpido no Facebook, vão lá comentar algo mais estúpido ainda (dentro do que disse essa pessoa) a ver se ela defende mesmo aquilo a sério ou se é só fogo de vista.
Porque não são só as gajas a mostrar as mamas e os gajos a mostrar os abdominais (com frases profundas nas legendas) os únicos a querer chamar a atenção.
(Agora só faltava pôr aqui um "agora pensa" mas não vou fazer isso, que me parece coisa de opinista reles do Fakebook).
Tudo o que aqui escrevi também serve para o Twitter, mas a maior parte das pessoas não tem isso porque ainda não chegaram lá.
E assim me declaro oficialmente neutra e à margem de qualquer gerrinha de rede social. E se alguém me vier perguntar se já li o que escreveu fulano ou cicrano, a minha resposta vai ser sempre do género "Ó pá, não me interessa".
E também por isso, esta é a primeira e última vez que me pronuncio, no meu blogue pessoal que só lê quem quer, sobre estes não-assuntos.

Crescer é aprender.

{entre agora aqui a Mayra Andrade a cantar "crescer é saber e amaaaar", por favor}